Transferências milionárias colocam empresa associada ao entorno de Daniel Vorcaro no centro de apurações sobre lavagem de dinheiro, milícias e atuação do crime organizado no sistema financeiro.
Ana Beatriz Publicado em 17/03/2026, às 13h48
Um novo desdobramento das investigações da Operação Carbono Oculto revelou a movimentação de cerca de R$ 180 milhões entre um fundo financeiro sob suspeita e a empresa Super Empreendimentos, ampliando as conexões entre o setor financeiro e estruturas ligadas ao crime organizado. A operação investiga a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em operações financeiras no país.
De acordo com um alerta encaminhado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa Gold Style realizou transferências milionárias para a Super Empreendimentos entre os anos de 2020 e 2025. O volume e a frequência das movimentações chamaram a atenção dos órgãos de controle e passaram a ser analisados no contexto de possíveis operações de lavagem de dinheiro.
A Super Empreendimentos já havia entrado no radar das autoridades por sua ligação indireta com o empresário Daniel Vorcaro, investigado em outro braço de apurações envolvendo fraudes financeiras. A empresa teve como diretor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, o que reforçou a suspeita de conexões entre as estruturas investigadas.
Segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, a empresa também teria sido utilizada para realizar pagamentos a grupos envolvidos em ações de intimidação. As investigações apontam que esses recursos poderiam ter financiado atividades de milicianos contratados para ameaçar pessoas consideradas adversárias ou potenciais delatores.
Ligação com grupo de intimidação
Outro ponto relevante da investigação envolve a possível conexão da Super Empreendimentos com o grupo conhecido como “A Turma”, associado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele é apontado como responsável por coordenar ações de coação e ameaças dentro da estrutura investigada.
Segundo os investigadores, o grupo atuaria como braço operacional de intimidação, sendo utilizado para pressionar alvos estratégicos. A suspeita é de que recursos movimentados pelas empresas investigadas possam ter financiado esse tipo de atividade.
Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada para apurar a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro, com foco na possível infiltração do PCC em estruturas empresariais e fundos de investimento.
Entre as principais linhas de investigação estão:
As autoridades buscam entender como o dinheiro circulava entre empresas e fundos, além de identificar os beneficiários finais dos recursos.
Alerta do Coaf e avanço das investigações
O alerta do Coaf foi fundamental para aprofundar as investigações, já que identificou movimentações consideradas atípicas e incompatíveis com a atividade declarada das empresas envolvidas.
A partir dessas informações, a Polícia Federal passou a cruzar dados financeiros, registros societários e comunicações entre os investigados para mapear a estrutura do esquema.
Especialistas apontam que o caso evidencia um modelo cada vez mais sofisticado de atuação do crime organizado, que busca se inserir em setores formais da economia para ocultar recursos ilícitos.
Impacto e próximos passos
As investigações seguem em andamento e podem resultar em novas fases da operação, com possíveis prisões, bloqueio de bens e responsabilização criminal dos envolvidos.
O caso também reforça o alerta sobre a utilização do sistema financeiro por organizações criminosas, ampliando o desafio das autoridades em identificar e interromper fluxos de dinheiro ilegal.
A apuração agora busca esclarecer a extensão da rede envolvida, identificar todos os participantes e determinar o destino final dos recursos movimentados.