Decisão Judicial

Sem provas, Justiça arquiva denúncia contra conselho da Bola de Neve

O Ministério Público de São Paulo recomendou o arquivamento do inquérito, alegando falta de evidências de irregularidades na gestão da igreja

Acusações foram inicialmente apresentadas pela pastora Denise Seixas, viúva do fundador da instituição, o apóstolo Rinaldo Pereira Seixas, conhecido como Rina - Imagem: Divulgação / Igreja Bola de Neve

William Oliveira Publicado em 01/07/2025, às 11h14

A Justiça brasileira determinou o arquivamento do inquérito que investigava supostos desvios de recursos financeiros e fraudes envolvendo o conselho deliberativo da Igreja Bola de Neve. As acusações foram inicialmente apresentadas pela pastora Denise Seixas, viúva do fundador da instituição, o apóstolo Rinaldo Pereira Seixas — popularmente conhecido como Rina. A disputa pelo controle da igreja se intensificou após o falecimento do líder espiritual, ocorrido em novembro do ano passado, em um acidente de moto.

Embora Denise tenha posteriormente desistido das denúncias, a investigação prosseguiu. No último dia 24 de junho, o juiz Tobias Guimarães Ferreira, do Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo) do Fórum Criminal da Barra Funda, atendeu à recomendação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e determinou a extinção do processo.

O diretor financeiro da igreja, Everton Cesar Ribeiro, também havia sido investigado por supostas irregularidades na administração de recursos da entidade. Contudo, de acordo com o relatório final da Polícia Civil, datado de 5 de junho, não foram encontradas evidências de ilícitos ou de prejuízo financeiro à igreja. Com base nesse parecer, o MPSP solicitou o arquivamento do inquérito em 12 de junho.

No parecer ministerial, o promotor Cláudio Cavallini observou que o fato de Ribeiro ocupar cargo de direção e contratar empresas de familiares não configura crime automaticamente. Ainda segundo o promotor, eventuais descontentamentos com a gestão financeira da instituição devem ser resolvidos internamente, entre os membros da igreja, ou levados à esfera cível, não ao âmbito criminal.

A Igreja Bola de Neve, que possui mais de 500 templos e arrecada cerca de R$ 250 milhões por ano, reúne milhares de fiéis e pastores em todo o país. Após a morte de Rina, sua esposa Denise Seixas e o conselho deliberativo se envolveram em uma intensa disputa pelo controle da entidade. À época, Denise apresentou documentos que, segundo ela, indicavam práticas irregulares por parte de membros do conselho, com potencial de causar danos à credibilidade pública da igreja.

Em janeiro deste ano, a Justiça reconheceu Denise como presidente interina da instituição. No entanto, ela renunciou ao cargo em fevereiro, após um acordo com a liderança da igreja, e retirou oficialmente as acusações.

Em comunicado divulgado no dia 30 de junho, a Igreja Bola de Neve celebrou o arquivamento do processo e reafirmou seu compromisso com a transparência e a legalidade na gestão financeira. A instituição destacou que suas contas são submetidas periodicamente a auditorias independentes. O advogado da igreja, Aristides Zacarelli Neto, declarou:

“A decisão judicial corrobora, de maneira inequívoca, que a Igreja Bola de Neve e seus diretores sempre atuaram de acordo com a legalidade e dentro dos princípios éticos cristãos, em benefício de seus milhões de fiéis e simpatizantes.”
justiça GESTÃO FINANCEIRA ARQUIVAMENTO EVERTON RIBEIRO polícia civil Ministério Público inquérito Igreja Bola de Neve denise seixas disputa interna RINA desvio de recursos auditoria independente promotor Cláudio Cavallini templos evangélicos

Leia também