Letalidade Policial

São Paulo atinge recorde de mortes em ações policiais

Com 663 mortes registradas até dezembro, a letalidade em ações da Polícia Militar em São Paulo já supera os dados do ano de 2024

São Paulo atinge recorde de mortes em ações policiais - Imagem: Reprodução / Felipe Turioni / g1

William Oliveira Publicado em 22/12/2025, às 07h44

O estado de São Paulo registra, até dezembro de 2025, o maior índice de letalidade em intervenções policiais dos últimos três anos. Dados oficiais revelam que, até o dia 19 de dezembro, 663 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço, número que já ultrapassa o total consolidado de 2024, quando foram contabilizadas 653 mortes.

O avanço dos índices evidencia uma escalada expressiva da violência letal em ações policiais. Em 2023, foram registradas 375 mortes — pouco mais da metade do total atual —, o que confirma uma tendência de crescimento contínuo e acelerado.

Evolução dos indicadores

A análise da série histórica recente reforça a gravidade do cenário. Entre 2022 e 2025, o aumento acumulado da letalidade policial em serviço supera 150%, conforme os dados oficiais:

Somente no bimestre de outubro e novembro de 2025, foram registrados 171 óbitos decorrentes de intervenções policiais, consolidando o período como um dos mais violentos da atual gestão estadual.

Mortes fora de serviço

Em sentido oposto, os dados referentes a policiais militares mortos fora do horário de serviço apontam redução nos índices. Em 2025, até o momento, foram contabilizadas 104 ocorrências, o menor número desde 2023.

Reação institucional e cenário político

Em notas oficiais, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reiterou que não compactua com desvios de conduta e afirmou que todos os casos com resultado morte são investigados pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Ministério Público. Policiais envolvidos em episódios de grande repercussão, como os casos de Jeferson de Souza e Igor Oliveira, foram afastados preventivamente das atividades operacionais.

Levantamentos técnicos sobre o perfil das intervenções levantam questionamentos relevantes sobre o uso da força. Em uma amostragem de confrontos analisados na capital paulista, constatou-se que:

  1. Vítimas desarmadas: cerca de 34% das pessoas mortas não portavam armas de fogo no momento da abordagem.
  2. Dinâmica dos disparos: em aproximadamente dois terços das ocorrências, apenas os policiais efetuaram disparos.
  3. Padrão de ferimentos: laudos necroscópicos indicam alta incidência de tiros em regiões vitais e disparos pelas costas, o que levanta dúvidas sobre o cumprimento dos protocolos operacionais.

A Secretaria da Segurança Pública afirma que os treinamentos são constantemente revisados e reforça que o uso da força deve ocorrer exclusivamente como último recurso, dentro dos limites legais.

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