Crime Organizado

Saiba quem é o promotor que desafia o PCC e vive há anos sob ameaça de morte

Lincoln Gakya voltou a ser alvo de um plano de execução descoberto pela polícia em operação no interior paulista

Lincoln Gakya, promotor de Justiça - Imagem: Divulgação / Alesp / Roberto Navarro

William Oliveira Publicado em 24/10/2025, às 08h48

O promotor de Justiça Lincoln Gakya, conhecido por sua atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), voltou a ser alvo de um plano de assassinato elaborado por integrantes da facção criminosa. A descoberta levou o Ministério Público e a Polícia Civil a deflagrarem, nesta sexta-feira (24), uma operação para impedir a execução das ameaças.

As investigações começaram após a prisão de Vitor Hugo da Silva, o “VH”, em julho deste ano. Durante a análise do celular do suspeito, os policiais encontraram registros detalhados da rotina de Roberto Medina, coordenador de presídios na região de Presidente Prudente, e menções ao promotor Gakya. O material indicava a preparação de um ataque armado contra os dois servidores públicos.

Com base nas provas, a Justiça autorizou 25 mandados de busca e apreensão em sete cidades do oeste paulista, incluindo Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis e Presidente Venceslau, onde estão presos líderes da facção.

Gakya é um dos principais nomes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e vive há mais de dez anos sob proteção policial integral. Ele passou a ser ameaçado depois de comandar investigações que enfraqueceram a cúpula do PCC.

O episódio mais marcante ocorreu em 2019, quando o promotor pediu a transferência de 22 chefes da facção para presídios federais de segurança máxima, entre eles Marcola. A medida frustrou uma tentativa de resgate e resultou em novas ordens de morte contra ele.

Em entrevista para o Conversa com Bial, da Rede Globo, Gakya afirmou que o isolamento imposto pelas ameaças transformou sua vida pessoal. “O combate ao crime me tirou a liberdade, mas me deu a certeza de estar no lado certo”, disse o promotor, que segue atuando no interior do estado.

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