Pedro Luiz da Silva Moraes, conhecido como Chacal, é apontado como um dos principais responsáveis pelo assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
William Oliveira Publicado em 19/01/2026, às 11h12
As autoridades policiais estão à procura de Pedro Luiz da Silva Moraes, conhecido como Chacal, apontado como um dos principais responsáveis pelo planejamento e monitoramento do assassinato do delegado aposentado Ruy Ferraz Fontes. Chacal integra a "Sintonia Restrita", grupo do Primeiro Comando da Capital (PCC) focado em ações de vigilância e execução contra autoridades.
Investigadores afirmam que Chacal estaria fora do Brasil, possivelmente na Bolívia. Seu envolvimento no crime é considerado significativo, dado seu histórico criminal que inclui o massacre do Carandiru, em 1992, quando ele estava preso durante a tragédia que resultou na morte de 111 detentos.
Após ser liberado em 2024, Chacal enfrentou diversas acusações, incluindo tentativas de fuga e organização de rebeliões. Em 2019, ele foi transferido para presídios federais a pedido de Ruy Ferraz, fato que, segundo os investigadores, teria motivado sua vingança.
A apuração indica que Chacal esteve entre os responsáveis pelo plano que culminou na morte do ex-delegado, assassinado a tiros em Praia Grande. Documentos interceptados pelo Ministério Público mencionam ordens específicas contra Ferraz e também contra o promotor Lincoln Gakiya.
Além de Chacal, três outros indivíduos foram identificados como coautores do crime: Fernando Ribeiro Teixeira (Azul ou Careca), Manuel Ribeiro Teixeira (Manuelzinho) e Márcio Serapião de Oliveira (Velhote). Todos possuem histórico criminal desde a década de 1990 e já haviam sido presos em operações conduzidas por Ruy Ferraz, gerando um ressentimento duradouro.
As prisões desses suspeitos ocorreram quatro meses após o assassinato, com a polícia rastreando um veículo usado na fuga — um Renegade furtado que foi incendiado posteriormente. Impressões digitais encontradas no carro pertenciam a Felipe Avelino da Silva, conhecido como Mascherano, preso em outubro, que confirmou sua participação na execução do plano.
Outro suspeito, Humberto Alberto Gomes, supostamente dirigiu o carro durante o ataque. Após o crime, fugiu para o Paraná, onde foi morto em confronto com as autoridades. Mensagens recuperadas de celulares indicam que Humberto atuava sob ordens diretas e que a logística da operação era coordenada por Márcio Serapião.
A polícia acredita que a motivação do crime foi vingança. Ruy Ferraz já havia recebido ameaças desde 2005, e sua aposentadoria fez com que circulasse mais frequentemente por Praia Grande, facilitando a ação dos criminosos.
As autoridades continuam as buscas por Chacal e por outro suspeito ainda não identificado.
Com 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ruy Ferraz construiu trajetória respeitada. Atuou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), chegando ao cargo de Delegado Geral da Polícia Civil. Também foi professor na Academia de Polícia e, atualmente, ocupava a Secretaria de Administração de Praia Grande.
Especialista em investigações contra o crime organizado, participou diretamente das ações contra o PCC desde os anos 2000. Em 2019, chegou a ser ameaçado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção.
Após se aposentar da Polícia Civil, Ruy Ferraz atuava como secretário de administração de Praia Grande e já havia sobrevivido a tentativas de assassinato devido às suas investigações rigorosas contra organizações criminosas.