No último domingo (7), dois criminosos armados invadiram a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, e roubaram 13 gravuras; obras pertenciam aos artistas Candido Portinari e Henri Matisse
William Oliveira Publicado em 11/12/2025, às 12h21
No último domingo (7), a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, foi alvo de um assalto que resultou no desaparecimento de 13 gravuras raras pertencentes a grandes nomes da arte mundial: Henri Matisse, referência do modernismo francês, e o brasileiro Candido Portinari. As obras, que estavam expostas no último dia da mostra realizada em parceria com o MAM-SP, foram levadas por dois criminosos armados que renderam funcionários e visitantes antes de fugir com o material.
Entre os artistas que tiveram suas obras roubadas, destaca-se o brasileiro Candido Portinari (1903–1962), um dos mais importantes pintores da história do país e figura central da arte moderna latino-americana. Nascido em Brodowski, interior de São Paulo, filho de imigrantes italianos, Portinari dedicou sua carreira a retratar o povo brasileiro, suas dores, tradições e desigualdades, construindo uma obra profundamente marcada pelo compromisso social.
Portinari iniciou sua trajetória artística ainda jovem e, aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Seu estilo, que mescla influências europeias com temas nacionais, rendeu-lhe reconhecimento internacional. Entre suas obras mais emblemáticas estão os célebres painéis “Guerra e Paz”, instalados na sede da ONU, além de murais, afrescos, retratos e séries de gravuras.
O artista morreu em 1962, vítima de complicações de saúde provocadas pela intoxicação pelas próprias tintas que utilizava.
Na manhã do último domingo, dois homens armados invadiram a Biblioteca Mário de Andrade, renderam os seguranças e levaram obras de arte dos artistas Henri Matisse e Candido Portinari.
As peças integravam a exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”, realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna (MAM) e que estava em sua fase final.
Entre as gravuras de Matisse furtadas estão:
Já as cinco gravuras de Candido Portinari fazem parte da série produzida para ilustrar a edição de “Menino de Engenho”, lançada em 1959 pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a dupla rendeu uma vigilante e um casal de idosos que visitava a biblioteca. Em seguida, seguiu até a cúpula de vidro, onde estavam os documentos. Eles colocaram os documentos e oito quadros em uma sacola de lona e fugiram pela saída principal. Logo após o ocorrido, os vigilantes correram para pedir ajuda a policiais militares que patrulhavam a região, mas os suspeitos não foram localizados.
Relatos apontam que, após o roubo, os criminosos fugiram em direção à estação Anhangabaú do metrô. A Guarda Civil Municipal (GCM) reforçou o policiamento no entorno da biblioteca.
O caso foi registrado no 2º DP (Bom Retiro) e segue sendo investigado pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco).
Na manhã desta segunda-feira (8), a Polícia Civil efetuou a prisão de um dos suspeitos envolvidos no roubo das obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade. O indivíduo detido, identificado como Felipe dos Santos Fernandes Quadra, de 31 anos, foi conduzido à delegacia, onde prestou depoimento. Na audiência de custódia, a Justiça determinou a manutenção da prisão.
A polícia confirmou que já possui a identificação de um segundo suspeito, que continua foragido.
Durante as investigações, um terceiro homem foi identificado por câmeras do sistema Smart Sampa interagindo com os ladrões. Ele foi detido pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), mas acabou liberado, comprometendo-se a prestar depoimento ainda na segunda-feira.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o veículo usado na fuga dos criminosos foi localizado, apreendido e encaminhado para análise técnica. As autoridades seguem trabalhando para identificar o segundo suspeito e recuperar as obras de arte subtraídas.