Prefeito afirma já ter esclarecido suspeitas sobre desvios em creches conveniadas
Marina Milani Publicado em 21/11/2024, às 07h50
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tornou-se alvo de um inquérito da Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento no esquema da "máfia das creches", que teria desviado recursos públicos destinados a unidades conveniadas com a prefeitura. A investigação, parte da Operação Daycare, autorizada pela Justiça Federal na última terça-feira (19), busca esclarecer possíveis relações do prefeito com empresas investigadas, incluindo uma pertencente à sua família.
A Operação Daycare, deflagrada em 2021, revelou desvios em creches conveniadas que utilizavam notas fiscais frias para justificar gastos inexistentes. Das 152 creches analisadas, 112 apresentaram irregularidades. Um dos grupos envolvidos movimentou mais de R$ 1 bilhão em quatro anos, com parte dos valores retornando aos gestores ou pessoas próximas.
De acordo com a PF, a investigação identificou uma transferência de R$ 31,5 mil de uma empresa suspeita para a conta de Nunes e outra parte para a Nikkey Serviços, empresa de dedetização pertencente à esposa e à filha do prefeito. Além disso, Elaine Targino da Silva, presidente da ACRIA (uma das instituições investigadas), aparece como empregada da Nikkey, levantando suspeitas sobre a relação entre a entidade e a família de Nunes.
Em sua primeira manifestação pública sobre o caso, Nunes afirmou estar perplexo com a reabertura do inquérito e destacou já ter prestado esclarecimentos anteriormente. “Não existe absolutamente nada nesse processo. Recebo essa notícia com perplexidade porque não há nenhuma denúncia contra mim”, declarou. O prefeito ainda argumentou que sua relação com empresas investigadas se deu no contexto de sua atuação como empresário e vereador.
Os advogados de Ricardo Nunes anunciaram que irão impetrar habeas corpus nas instâncias superiores para trancar o inquérito, alegando ausência de indícios e falta de justa causa.