R$ 800 mil em propina garantiu mordomia a policiais ligados ao PCC

Os policiais usavam celulares para se comunicar com comparsas, facilitando a continuidade de atividades ilícitas mesmo detidos

Valmir Pinheiro e Valdenir Paulo de Almeida estão presos sob suspeita de receber R$ 800 mil para encerrar investigações de tráfico. - Imagem: Divulgação

Marina Milani Publicado em 05/02/2025, às 10h01

Dois policiais civis, Valmir Pinheiro, conhecido como Bolsonaro, e Valdenir Paulo de Almeida, apelidado de Xixo, enfrentam sérias acusações relacionadas à corrupção. Ambos estão detidos preventivamente desde setembro do ano anterior, sob suspeita de terem recebido R$ 800 mil em propina para encerrar investigações envolvendo tráfico de drogas.

De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), o montante teria sido pago pelo narcotraficante João Carlos Camisa Nova Júnior, com o objetivo de evitar que a polícia realizasse diligências sobre o envio de grandes quantidades de cocaína para o continente europeu.

A apuração revelou que a propina era supostamente paga mensalmente por advogados ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) durante o período de 2020 até junho de 2021. Essa prática corrupta resultou no arquivamento de investigações e na interrupção de inquéritos conduzidos pelo Departamento de Narcóticos (Denarc).

Recentemente, uma operação conjunta do MPSP e da Corregedoria da Polícia Civil resultou em buscas e apreensões relacionadas aos suspeitos. Na terça-feira (4), foram realizadas diligências que culminaram na apreensão de 23 celulares dentro das celas do presídio da Polícia Civil, localizado na Avenida Zaki Narchi, na zona norte da capital paulista. Este estabelecimento abriga agentes que supostamente têm vínculos com o PCC.

Durante a operação, os investigadores descobriram que os policiais estavam utilizando celulares para realizar videochamadas com comparsas enquanto estavam detidos. O MPSP informou que esses aparelhos entraram no presídio com a ajuda de familiares dos acusados. Além dos 23 celulares apreendidos, também foram encontrados R$ 21.672,15 em dinheiro, 11 smartwatches, 14 carregadores, 26 fones de ouvido, uma pequena quantidade de drogas, dólares, euros e um notebook.

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