Manifestantes pedem justiça por Ngange Mbaye, morto após abordagem da PM
Lívia Gennari Publicado em 12/04/2025, às 14h21
Manifestantes se reuniram na tarde deste sábado (12) no centro de São Paulo em protesto contra a morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, de 49 anos, baleado por um policial militar durante uma abordagem na Rua Joaquim Nabuco, na região do Brás, na última sexta-feira (11). O ato, que começou pacífico, terminou em confronto com a Polícia Militar e dispersão com bombas de gás de pimenta.
Com cartazes, palavras de ordem e gritos de “justiça”, centenas de pessoas caminharam pelas ruas da região central para denunciar a violência policial e o racismo. Entre os presentes, estavam membros de coletivos de direitos humanos, imigrantes africanos, representantes de movimentos sociais e sindicatos.
Relembre o caso
Ngange Mbaye, que vivia há cerca de 10 anos no Brasil, vendia roupas e acessórios em feiras populares da capital. De acordo com testemunhas, ele foi abordado por policiais militares por volta das 10h30 de sexta-feira (11) durante uma operação contra o comércio informal. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), houve uma “confusão” e um dos PMs disparou contra o ambulante, que não resistiu aos ferimentos.
Durante o protesto, a tensão aumentou quando manifestantes tentaram bloquear vias próximas à Praça da Sé. A PM reagiu com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Houve correria e alguns participantes relataram agressões por parte dos policiais. Até o momento, não há registro de prisões ou feridos graves.
A morte de Mbaye gerou indignação entre a comunidade senegalesa em São Paulo, que cobra uma investigação rigorosa e punição dos responsáveis. O policial envolvido no disparo foi afastado das atividades operacionais e responderá a inquérito na Corregedoria da PM.
O caso reacende o debate sobre a violência policial em ações contra ambulantes e imigrantes, principalmente em regiões centrais da cidade, onde o comércio informal é expressivo.