Paulo e Pedro Terra inauguram mural em homenagem à cantora Preta Gil, que faleceu após luta contra o câncer
William Oliveira Publicado em 24/07/2025, às 12h21
Os irmãos e artistas plásticos Paulo e Pedro Terra inauguraram nesta quarta-feira (23) um mural em homenagem à cantora Preta Gil, na estrada do Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo.
A artista faleceu no último domingo (20), em Nova York, após uma longa luta contra o câncer. Ela estava a caminho do aeroporto em uma ambulância, se preparando para retornar ao Brasil, quando sofreu uma parada cardíaca.
A obra retrata Preta Gil sorrindo, com as mãos unidas em sinal de gratidão. Ao lado, o rosto de Gilberto Gil envia um beijo, acompanhado da frase: “Obrigado por tudo”.
Paulo Terra explicou a motivação da homenagem: “Acompanhei a trajetória dela e a luta pela cura do câncer. Estava torcendo muito como fã, e do nada a gente recebe essa notícia. Acaba sendo impactante porque a gente espera que o artista consiga a cura, mas infelizmente essa doença é cruel e levou essa artista que a gente admira bastante. Não podia deixar de fazer essa honmeagem. Já que trabalhamos com arte, vamos estampá-la no mural.”
Sobre a escolha do pai na composição, ele acrescentou: “Vi que havia espaço e decidi incluir o Gil enviando um beijo, como se fosse uma despedida. Isso me emocionou muito.”
Translado e velório
O corpo de Preta Gil deverá chegar a São Paulo nesta quinta-feira (24), antes de seguir para o Rio de Janeiro, onde ocorrerá o velório.
A família acompanha o translado no mesmo voo, que decolou de Nova York por volta das 19h (horário de Brasília) e deve pousar em Guarulhos por volta das 5h.
O velório será aberto ao público no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, das 9h às 13h. A cerimônia será realizada no Centro da cidade, onde também fica o circuito dos blocos de carnaval que agora leva o nome de Preta Gil.
Legado musical
Filha de Gilberto Gil e da publicitária Sandra Gadelha, Preta iniciou a carreira artística aos 29 anos. Seu primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, foi lançado em 2003 e trouxe o sucesso “Sinais de Fogo”, escrito por Ana Carolina. A capa do disco causou polêmica ao exibir a cantora nua.
Em 2005, lançou o segundo álbum, “Preta”, com os hits “Muito Perigoso” e “Eu e você, você e eu”. Já em 2010, apresentou o terceiro trabalho, “Noite Preta”, que deu origem a uma turnê nacional de sete anos.
Na sequência, idealizou o show “Baile da Preta”, com repertório eclético que representava sua personalidade e seu apreço pela música popular brasileira. Em seu site, descrevia: “O Baile da Preta representa meu ecletismo musical e meu respeito pela MPB”.
Ainda em 2010, estreou na TV com o programa “Vai e Vem”, abordando temas ligados à sexualidade com leveza e inteligência. Na época, destacou seu desejo de criar um conteúdo sem vulgaridade.
Preta também fundou um dos maiores blocos carnavalescos do país. O “Bloco da Preta” estreou em 2010 e, em 2017, levou mais de 500 mil foliões às ruas do Centro do Rio, em uma homenagem a Chacrinha.