Instituições voltadas ao acolhimento de idosos enfrentam multas, questionamentos urbanísticos e mobilização de vizinhos em bairro nobre de São Paulo; caso reacende debate sobre exclusão social na capital.
Redação Publicado em 26/05/2026, às 09h21
A tensão envolvendo casas de repouso para idosos na região da City Lapa, bairro nobre da Zona Oeste de São Paulo, ganhou novos capítulos e passou a provocar forte repercussão nas redes sociais.
Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que moradores do bairro vêm pressionando a Prefeitura de São Paulo e a Subprefeitura da Lapa para endurecer fiscalizações e retirar instituições de longa permanência para idosos da região.
Entre os principais rostos do movimento estão a presidente da associação de moradores Assampalba, Carla Banietti, e o casal de empresários Cristiano Ferrari e Elaine Ferrari, vizinhos de uma das instituições alvo da disputa.
Segundo a reportagem, moradores alegam que ambulâncias, carros funerários, circulação de funcionários e movimentações relacionadas às casas de repouso estariam “desvalorizando” imóveis de alto padrão da City Lapa, área marcada por ruas residenciais e imóveis valorizados.
Cristiano Ferrari chegou a afirmar à Folha que morar ao lado de uma casa de repouso seria uma “tortura psicológica”. Já Elaine Ferrari aparece em vídeos afirmando que moradores não querem as ruas “cheias de casas de repouso” porque isso afetaria o valor dos imóveis.
A repercussão das falas foi imediata. Nas redes sociais, internautas acusaram os moradores de preconceito contra idosos e de tentar transformar o bairro em um espaço cada vez mais exclusivo e seletivo. Comentários classificaram a situação como exemplo de “etarismo”, “higienização social” e “elitização urbana”.
O conflito ocorre em meio à intensificação de multas e cassações de alvarás por parte da gestão do prefeito Ricardo Nunes. Segundo a Prefeitura, parte das instituições estaria funcionando em desacordo com o zoneamento estritamente residencial da região. Já representantes das casas de repouso afirmam que foram autorizados anteriormente pelo próprio município e denunciam perseguição.
Especialistas alertam que o episódio acontece justamente em um momento em que o Brasil enfrenta rápido envelhecimento populacional e aumento da demanda por espaços de acolhimento para idosos.
A discussão também levantou críticas sobre o modelo urbano de bairros nobres da capital, onde estruturas ligadas à velhice, saúde e assistência social frequentemente passam a ser vistas como “incômodos” diante da valorização imobiliária.