A Polícia Civil revelou que o detento Rodrigo Galvão dos Santos, autuado por decapitar um colega de cela em Pinheiros, é reincidente em execuções dentro do sistema prisional, tendo enforcado outro preso há dois anos
William Oliveira Publicado em 04/03/2026, às 07h44
A Polícia Civil de São Paulo revelou detalhes sobre o detento Rodrigo Galvão dos Santos, conhecido como “Rota”, preso responsável por decapitar um colega de cela no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Pinheiros, neste sábado (28). As investigações apontam que este não foi o primeiro homicídio cometido por ele dentro do sistema prisional.
A vítima, Washington Ramos Brito, de 32 anos, havia sido presa três dias antes, suspeita de matar a própria mãe. Segundo a polícia, Rodrigo contou com a ajuda de outro detento para executar o crime. Washington foi decapitado com uma lâmina de barbear e teve partes do corpo mutiladas.
De acordo com os investigadores, o assassinato pode ter seguido um ritual associado à facção criminosa conhecida como “Bonde do Cerol Fininho”, apontada como rival do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em depoimento, os envolvidos alegaram que o crime foi motivado por “revolta” diante do suposto matricídio. “Não aceitamos esse tipo de crime”, afirmaram.
O histórico criminal de Rodrigo é extenso. Em 2022, ele já havia assassinado outro detento, Robson Santos de Carvalho, por enforcamento com um lençol no CDP III de Pinheiros. Além disso, acumula ao menos 16 faltas graves ao longo de cerca de 20 anos de condenações, incluindo registros por tortura, sequestro, cárcere privado e roubo.
O preso também declarou ligação com o Comando Vermelho (CV) e participação em confrontos contra integrantes do PCC dentro de unidades prisionais paulistas.
Mesmo com o histórico de violência e alta periculosidade, Rodrigo permanecia em cela comum. Na quinta-feira (26), ele deveria ter participado de júri popular pelo homicídio de 2022, mas não compareceu. Dois dias depois, cometeu o novo crime.
A Secretaria da Administração Penitenciária instaurou procedimento para apurar o caso. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da execução e possíveis falhas na segurança da unidade.