Nelson Matias Pereira criticou proposta aprovada em primeiro turno na Câmara Municipal e afirmou que crianças continuarão presentes na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo
Ana Beatriz Publicado em 27/05/2026, às 14h04
O presidente da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias Pereira, reagiu nesta terça feira (26) ao Projeto de Lei 50/2025, aprovado em primeiro turno pela Câmara Municipal de São Paulo. A proposta, apresentada pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), prevê a proibição da participação de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a própria Parada LGBT+ da capital paulista.
Durante coletiva de imprensa, Nelson Matias criticou duramente o texto e reafirmou que menores de idade continuarão participando da manifestação acompanhados de familiares e responsáveis.
“Vai ter criança sim na Parada”, declarou o presidente da organização do evento.
A fala ocorreu em meio ao lançamento oficial da edição de 2026 da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que celebrará os 30 anos da manifestação considerada uma das maiores do mundo. Neste ano, o ato terá como tema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma”.
Segundo os organizadores, o slogan busca reforçar a importância da ocupação política e da participação social diante de debates envolvendo direitos civis e representatividade.
“O aniversário da Parada é mais do que a celebração de uma história, é a afirmação de uma posição”, afirmou a organização durante a coletiva.
O Projeto de Lei 50/2025 foi aprovado em primeiro turno no último dia 20 de maio pela Câmara Municipal. O texto ainda precisará passar por uma segunda votação no plenário antes de seguir para análise do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que poderá sancionar ou vetar a proposta.
A justificativa apresentada pelo autor do projeto afirma que o objetivo seria proteger crianças e adolescentes de conteúdos considerados inadequados para menores de idade em eventos públicos.
Entretanto, entidades ligadas aos direitos humanos, movimentos LGBTQIA+ e ativistas classificaram a proposta como discriminatória e inconstitucional. Críticos do texto argumentam que a medida restringe direitos fundamentais, criminaliza manifestações ligadas à diversidade e interfere na autonomia familiar, já que o projeto impediria a presença de menores mesmo acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
O debate em torno da proposta ampliou a polarização nas redes sociais e reacendeu discussões sobre liberdade de expressão, direitos da população LGBTQIA+ e limites da atuação legislativa em eventos públicos.
A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo é realizada anualmente na Avenida Paulista e reúne milhões de pessoas entre participantes, turistas, ativistas e representantes de movimentos sociais. Além do caráter político, o evento também movimenta setores ligados ao turismo, cultura e entretenimento na capital paulista.