Recursos públicos foram usados para custear estrutura, segurança, produção e serviços da feira gospel Connect Faith, organizada por entidade presidida por Karina Gama, produtora executiva de Dark Horse. Gastos não apareceram no Diário Oficial e são alvo de questionamentos sobre transparência.
Redação Publicado em 21/05/2026, às 09h38
A Prefeitura de São Paulo desembolsou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação promovida pela empresária Karina Gama, que também atua como produtora executiva do filme Dark Horse, cinebiografia inspirada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso levanta questionamentos sobre transparência no uso de recursos públicos e amplia a repercussão em torno de contratos e emendas ligados ao universo bolsonarista.
Segundo documentos revelados pelo Metrópoles, o valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo (SMTur) e foi executado pela SP Turis durante a gestão do então secretário Rui Alves (Republicanos). O modelo utilizado permitiu que a prefeitura bancasse despesas do evento sem necessidade de edital público, publicação detalhada em Diário Oficial ou prestação formal de contas semelhante à exigida em patrocínios convencionais.
A feira aconteceu entre os dias 12 e 15 de junho de 2025, no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo shows, palestras e expositores do segmento gospel. Apesar de ser um evento privado, com venda de ingressos e cotas de patrocínio, a gestão municipal arcou com custos considerados essenciais para a realização da estrutura.
Planilhas internas apontam que o dinheiro público foi usado para pagar palco, iluminação, painéis de LED, segurança, limpeza, recepcionistas, transporte, alimentação, água mineral e equipes de produção. Apenas uma das empresas contratadas teria recebido mais de R$ 183 mil por seis diárias de trabalho.
O evento foi organizado pela Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Gama. Ela também aparece ligada ao Instituto Conhecer Brasil e à produtora responsável por Dark Horse, filme que se tornou alvo de investigações e polêmicas recentes após denúncias envolvendo emendas parlamentares, contratos milionários e supostos financiamentos privados ligados ao Banco Master.
O apoio da prefeitura à Connect Faith não teria sido divulgado oficialmente na época da realização do evento. Os registros só vieram à tona após investigações do Tribunal de Contas do Município (TCM) e do Ministério Público sobre contratos firmados pela SP Turis.
A administração municipal afirmou, em nota, que os procedimentos seguiram a legislação vigente e que o apoio ocorreu com base em decreto municipal que autoriza suporte estrutural a eventos considerados relevantes para a cidade. A prefeitura também negou qualquer relação entre os gastos públicos e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
O caso, porém, aumenta a pressão sobre aliados do ex-presidente em meio às investigações que envolvem financiamento cultural, emendas parlamentares e suposta falta de rastreabilidade de recursos públicos destinados a entidades ligadas ao grupo político bolsonarista.