Até o momento, apenas 39,78% do público-alvo recebeu a primeira dose da vacina e somente 20,47% completaram o esquema vacinal com as duas doses
William Oliveira Publicado em 13/02/2025, às 09h06
A Prefeitura de São Paulo está buscando autorização do Ministério da Saúde para implementar a vacinação contra a dengue em instituições de ensino, como estratégia para aumentar a adesão ao imunizante na cidade. Até o momento, apenas 39,78% do público-alvo recebeu a primeira dose da vacina e somente 20,47% completaram o esquema vacinal com as duas doses.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que a vacinação ocorra exclusivamente em unidades de saúde. No entanto, a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) argumenta que a adesão poderia ser significativamente maior caso a vacina fosse aplicada nas escolas, já que o público-alvo é composto por adolescentes entre 10 e 14 anos.
"A gente percebe que quando levamos essa vacina até a escola os pais aceitam. Tivemos um aumento principalmente da [cobertura vacinal da] HPV, exatamente por isso, porque no ano passado fizemos diversas ações extramuros [da UBSs]", destacou Mariana de Souza Araújo, coordenadora do Programa Municipal de Imunização (PMI).
No início da campanha de vacinação contra a dengue, em abril de 2024, a Prefeitura havia planejado vacinar nas escolas municipais, mas essa decisão foi revertida devido às diretrizes federais.
Atualmente, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) está tentando obter autorização por meio de um ofício enviado ao Ministério da Saúde em 27 de janeiro.
Ministério mantém cautela
O pedido da Prefeitura já recebeu uma resposta de Éder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Ele explicou que o ministério continuará recomendando que a vacinação ocorra em ambientes controlados, como unidades de saúde, devido à necessidade de monitorar possíveis reações adversas, especialmente alergias.
"Por uma questão de precaução, nós recomendamos que a vacinação fosse feita dentro das unidades de saúde e que os adolescentes ficassem em observação por 10 minutos após a vacinação. Uma coisa é acontecer um caso de alergia dentro do posto, outra coisa é acontecer na escola", afirmou Éder.
O infectologista ressaltou que, embora casos graves sejam raros, é essencial oferecer assistência imediata caso ocorram. "A vacinação deve ser feita nas unidades de saúde para garantir atendimento adequado em caso de alergias graves. Se um município optar por vacinar fora desses ambientes, deverá assegurar suporte adequado", acrescentou.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunização, Isabella Ballalai, tranquiliza sobre a segurança do imunizante: "É uma vacina segura. Embora possa causar efeitos colaterais leves e raros casos graves como anafilaxia, esses eventos são resolvidos rapidamente e são extremamente infrequentes".
Primeira morte por dengue em 2025
A cidade de São Paulo contabilizou sua primeira fatalidade por dengue em 2025, uma trágica ocorrência que envolveu uma menina de apenas 11 anos. A informação foi oficialmente confirmada pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) na terça-feira (11).
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a vítima residia na região de Ermelino Matarazzo, localizada na zona leste da capital paulista. O caso da menina passou por uma investigação epidemiológica conduzida pelo Instituto Adolfo Lutz.
O Painel de Arboviroses da Secretaria Estadual da Saúde revela que outros 12 óbitos relacionados à dengue estão sob investigação na cidade. Até o momento, São Paulo registra 3.721 casos confirmados da doença, com mais 769 sob suspeita.
A jovem estava dentro do grupo considerado elegível para a vacinação contra a dengue, que abrange indivíduos entre 10 e 14 anos. Contudo, não há informações disponíveis sobre se a criança havia recebido ou não a vacina. Embora o imunizante esteja acessível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os dados mostram que a cobertura vacinal na cidade ainda é insatisfatória. Conforme informações divulgadas pela secretaria na última sexta-feira (7), o público alvo nesta faixa etária é estimado em 600 mil pessoas.
No entanto, apenas 266 mil indivíduos receberam a primeira dose da vacina, o que representa apenas 39,7% do total, enquanto apenas 137 mil completaram o esquema com a segunda dose, atingindo uma cobertura de apenas 20,5%. Essa baixa adesão ao esquema vacinal tem motivado a Prefeitura de São Paulo a intensificar as ações de busca ativa pelos responsáveis das crianças e adolescentes que pertencem ao grupo elegível.
Profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) têm realizado contato telefônico com os familiares para entender os motivos da não vacinação e solicitar que os jovens compareçam aos postos de saúde para completar a imunização. Na ausência de sucesso nas tentativas de contato telefônico, as equipes realizam visitas presenciais.