Alvará temporário libera eventos para até 5 mil pessoas no Brooklin, a poucos metros de unidade de cuidados paliativos; vereadores pedem reavaliação da decisão
Redação Publicado em 12/02/2026, às 10h42
A Prefeitura de São Paulo autorizou o funcionamento de um espaço de eventos com capacidade para até 5 mil pessoas no Brooklin, Zona Sul da capital, a poucos metros do Hospital Premier, unidade que atende 95 pacientes em reabilitação pós-cirúrgica e cuidados paliativos. O alvará temporário foi concedido no fim de janeiro pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento e permite atividades por seis meses, prorrogáveis por mais seis.
O empreendimento, chamado Varanda Estaiada, estreia neste sábado (14) com uma festa de música eletrônica. A entrada fica pela Avenida Doutor Chucri Zaidan.
O que preocupa moradores e hospital
A principal queixa da vizinhança é o impacto sonoro. Segundo relatos de moradores, a estrutura montada é semelhante a uma tenda a céu aberto, o que levantou dúvidas sobre a eficácia de eventual isolamento acústico.
Nos fundos do terreno está o Hospital Premier, especializado em reabilitação e cuidados paliativos. A gerente da unidade afirmou que soube da instalação do espaço há menos de um mês e que não houve tempo para adaptação da estrutura hospitalar, como a instalação de janelas antirruído.
A administração do hospital afirma que foi informada sobre medições de som e instalação de barreiras acústicas, incluindo uma parede de contêineres atrás dos amplificadores, mas teme que isso não seja suficiente por se tratar de eventos ao ar livre.
Mobilização política e abaixo-assinado
Moradores organizaram um abaixo-assinado virtual que já reúne 1.341 assinaturas contra o funcionamento do espaço no local.
Vereadores de diferentes partidos, como Nabil Bonduki, Marina Bragante e Zoe Martínez, se reuniram com a secretaria municipal e encaminharam ofícios à gestão Ricardo Nunes pedindo reavaliação do alvará.
Bonduki argumenta que há normas que estabelecem limites de ruído em áreas próximas a hospitais e questiona o enquadramento do empreendimento como “evento temporário”. Essa classificação simplifica o processo de licenciamento e dispensa exigências como estudo de impacto de vizinhança.
O papel do Ministério Público
O Ministério Público de São Paulo foi provocado por moradores e solicitou que a prefeitura e a Polícia Militar acompanhem os eventos para garantir o direito à tranquilidade e à circulação na região.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento afirmou que o alvará foi concedido após análise técnica e cumprimento das exigências previstas no Decreto nº 49.969/2008, que regulamenta eventos públicos e temporários na cidade.
Segundo a pasta, o empreendimento apresentou documentação técnica, de segurança e declaração de conformidade com os limites de emissão de ruído estabelecidos pela Lei de Zoneamento.
A prefeitura informou ainda que solicitou o envio de ofícios à subprefeitura local para subsidiar eventual pedido de reavaliação do documento.
O que diz o Varanda Estaiada
O Varanda Estaiada afirmou que possui todas as autorizações necessárias e que atua dentro das normas municipais. A empresa declarou que mantém diálogo com a administração do hospital desde o ano passado e que investiu em medidas para minimizar a propagação de ruído.
O espaço sustenta que não se trata de casa de shows permanente, mas de evento itinerante, já realizado em outros endereços da capital nos últimos anos.