Estudo internacional aponta que litoral do Brasil está entre os mais contaminados por bitucas do mundo, com índices até 40 vezes acima da média global e impacto direto na água, fauna e saúde humana.
Ana Beatriz Publicado em 28/03/2026, às 12h19
Um levantamento internacional divulgado nesta semana colocou o Brasil entre os países com praias mais contaminadas por bitucas de cigarro no mundo, evidenciando um problema ambiental crescente no litoral. A pesquisa, baseada em 130 estudos realizados em 55 países entre 2013 e 2024, aponta que o país ocupa a quarta posição global em poluição por esse tipo de resíduo.
Os dados revelam que a concentração de bitucas em praias brasileiras chega a 8,85 unidades por metro quadrado, enquanto a média mundial é de apenas 0,24. Em alguns pontos, a diferença pode ser até 40 vezes maior que o padrão global, colocando o país em um cenário crítico de contaminação ambiental.
Além do ranking preocupante, o estudo mostra que as bitucas representam quase 70% de todo o lixo coletado em praias brasileiras, tornando-se o principal resíduo encontrado nesses ambientes.
Entre as áreas mais afetadas estão praias de grande circulação turística, como Boa Viagem, no Recife, além de pontos no litoral paulista, como o Guarujá, e destinos conhecidos como Porto de Galinhas.
Impacto ambiental e riscos à saúde
O problema vai muito além da poluição visual. As bitucas de cigarro são compostas por filtros de plástico que podem levar anos — ou até décadas — para se decompor, liberando substâncias tóxicas no ambiente.
Esses resíduos contêm mais de 7 mil substâncias químicas, incluindo metais pesados e compostos cancerígenos. Quando entram em contato com a água, podem contaminar grandes volumes: uma única bituca é capaz de afetar mais de mil litros de água, colocando em risco organismos marinhos e até banhistas.
Especialistas alertam ainda que o descarte irregular favorece a formação de microplásticos, que entram na cadeia alimentar e ampliam os danos ao ecossistema.
Responsabilidade e possíveis soluções
Pesquisadores defendem medidas mais rígidas para enfrentar o problema, como campanhas de conscientização, restrições ao consumo de cigarro em praias e até a responsabilização da indústria do tabaco pelo impacto ambiental.
A discussão também envolve políticas públicas e fiscalização, especialmente em áreas com grande fluxo turístico, onde o descarte irregular é mais frequente.