Justiça

Policiais são condenados por proteger tráfico de drogas em Peruíbe

Investigação apontou que policiais vazavam informações sigilosas e cobravam propina para facilitar a atuação do tráfico no litoral

Policiais avisavam traficantes sobre operações no litoral. - Imagem: Divulgação/Governo de SP.

Erika Osti Publicado em 13/03/2026, às 16h01

A Justiça de São Paulo manteve a condenação de três investigadores da Polícia Civil acusados de integrar um esquema de corrupção ligado ao tráfico de drogas em Peruíbe, no litoral paulista. Segundo as investigações do Ministério Público de São Paulo, os agentes recebiam propina de traficantes para permitir a atuação do crime organizado na região e ainda vazavam informações sigilosas sobre operações policiais.

Foram condenados os investigadores Rodrigo de Castro, Marcos Masek Sauter e Humberto Mangabeira Fonseca Júnior. De acordo com a denúncia, o grupo recebia pagamentos semanais de cerca de R$ 2,5 mil, repassados por criminosos que atuavam no tráfico de drogas na cidade. O dinheiro, segundo o Ministério Público, era intermediado por um advogado.

As investigações indicam que, em troca da propina, os policiais deixavam de realizar ações contra o tráfico e avisavam antecipadamente os criminosos sobre operações policiais. Interceptações telefônicas realizadas durante o inquérito reforçaram a suspeita. Em uma das conversas anexadas ao processo, o advogado responsável por intermediar o esquema elogiou os investigadores e afirmou que eles haviam avisado previamente sobre uma operação, o que teria evitado prisões.

Um dos policiais, Humberto Mangabeira Fonseca Júnior, confessou ter recebido dinheiro de traficantes e firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público. Em depoimento, ele afirmou que era responsável por receber os valores e que a quantia era dividida entre os integrantes da equipe.

Rodrigo de Castro e Marcos Masek Sauter negaram qualquer participação no esquema. As defesas afirmaram à Justiça que as acusações se baseiam em interpretações equivocadas das interceptações telefônicas e que não existem provas suficientes de que tenham recebido vantagens indevidas.

No processo, Marcos também alegou que cumpria ordens superiores e que chegou a sofrer ameaças de morte de integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, que o acusavam de colaborar com a polícia.

Ao analisar o caso, o juiz Wilson Julio Zanluqui afirmou que ficou comprovado que os investigadores desviaram a função pública para favorecer o crime organizado. Segundo o magistrado, os agentes buscaram “lucro fácil” ao usar a estrutura da própria polícia para beneficiar traficantes.

O tribunal também entendeu que os policiais violaram deveres básicos da função pública, como honestidade e legalidade, e que a conduta causou danos à credibilidade das instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado.

Além das condenações criminais já impostas anteriormente, os três investigadores também foram condenados por improbidade administrativa. A decisão prevê o pagamento de multa equivalente a 20 vezes o valor do último salário recebido por cada um deles. Os réus ainda podem recorrer da decisão.

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