Cemitério clandestino

Polícia investiga elo entre mortes em Heliópolis e postagens sobre MC Kevin

Corpos encontrados em cemitério clandestino na Zona Sul de São Paulo levam DHPP a apurar possível ligação entre desaparecimentos de nomes do funk e publicações feitas nas redes sociais

A Secretaria da Segurança Pública confirma investigações em andamento para identificar todas as vítimas e esclarecer o caso - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 29/05/2026, às 08h23

A Polícia Civil de São Paulo investiga se os assassinatos de homens ligados ao cenário do funk e do rap têm relação com publicações feitas nas redes sociais envolvendo a morte do cantor MC Kevin, ocorrida em 2021. A apuração ganhou força após a descoberta de quatro corpos enterrados em um cemitério clandestino em Heliópolis, na Zona Sul da capital paulista.

Até o momento, duas vítimas já foram identificadas: Francisco Rubens Souza Cruz, de 46 anos, e o cantor Jonas Barros de Oliveira, conhecido artisticamente como MC GG ou “Gigante”, de 25 anos. Um terceiro desaparecido, Werlen Moitinho Vieira, também pode estar entre os corpos encontrados. Familiares reconheceram as roupas dele, mas a confirmação oficial ainda depende de exames periciais.

Imagem: Reprodução

 

Segundo investigadores, uma publicação feita pela produtora DamassaClan nas redes sociais passou a integrar as linhas de investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Na postagem, apagada pouco tempo depois, a empresa afirmava que Werlen havia sido “assassinado de forma cruel” e sugeria uma ligação entre o crime e a morte de MC Kevin.

“Nosso funcionário Werlen foi assassinado neste final de semana cruelmente enforcado e com um tiro na cabeça! Descobrimos quem matou Kevin, agora começaram a matar a gente!”, dizia a publicação.

Apesar das especulações levantadas nas redes sociais, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não existem elementos que comprovem qualquer relação entre a morte de MC Kevin e os crimes investigados em Heliópolis.

MC Kevin morreu em maio de 2021 após cair da varanda de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O inquérito conduzido pela Polícia Civil do Rio concluiu que a morte foi acidental e descartou a participação de terceiros. Mesmo assim, teorias e rumores continuam circulando no meio do funk e nas redes sociais.

O cemitério clandestino foi descoberto por agentes da Guarda Civil Metropolitana durante um patrulhamento ambiental em uma área de mata usada pela Sabesp, próxima aos chamados “prédios redondos”, na região de Cidade Nova Heliópolis. Os guardas encontraram trilhas abertas no mato e locais com terra remexida coberta por vegetação e pedras.

Inicialmente, três corpos foram localizados enrolados em panos e amarrados com fitas adesivas. No dia seguinte, policiais civis encontraram um quarto corpo em estado mais avançado de decomposição, indicando que ele pode ter sido enterrado antes das demais vítimas.

A polícia trabalha com a hipótese de execução ligada ao crime organizado e investiga possíveis conexões entre produtoras musicais do cenário periférico e os desaparecimentos. Testemunhas já foram ouvidas e alguns suspeitos foram identificados, mas a motivação dos crimes ainda não foi esclarecida.

Jonas Barros, o MC GG, morava em Heliópolis e tentava espaço na produtora DamassaClan havia cerca de quatro meses. Amigos afirmam que ele buscava oportunidades na música e já havia participado de gravações e videoclipes com artistas conhecidos do funk paulistano.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que dois corpos foram reconhecidos por familiares e que as investigações continuam para identificar as outras vítimas e esclarecer todas as circunstâncias do caso.

funk polícia Crime segurança pública PROTEÇÃO ASSASSINATOS EXECUÇÃO Heliópolis MC KEVIN CEMITÉRIO RAP São Paulo homicídios Organizado Werlen moitinho vieira Damassaclan Francisco rubens souza cruz Mc gg Jonas barros

Leia também