Relatório final da Operação Vérnix aponta envolvimento de influenciadora em esquema milionário ligado à facção criminosa
Letícia Sales Publicado em 29/05/2026, às 12h12
A Polícia Civil de São Paulo concluiu nesta sexta-feira (29) o relatório final da Operação Vérnix e indiciou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras cinco pessoas pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo os investigadores, o grupo utilizava empresas de fachada e movimentações financeiras suspeitas para ocultar recursos ligados à facção criminosa. O relatório foi encaminhado à Justiça paulista, que agora irá analisar os pedidos feitos pela polícia, incluindo bloqueios patrimoniais, apreensão de veículos, custódia judicial de joias e relógios e compartilhamento de provas com a Polícia Federal.
Deolane foi presa no último dia 21 de maio em um condomínio de luxo em Alphaville, na Grande São Paulo. A investigação aponta que a influenciadora teria recebido repasses financeiros de uma transportadora criada pela organização criminosa e participado da lavagem de dinheiro do grupo.
Estrutura do esquema
De acordo com a Polícia Civil, a operação apreendeu materiais que reforçam “os indícios de autoria e a materialidade dos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais”.
Os investigadores afirmam que a transportadora Lopes Lemos era usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção. A estrutura, segundo a polícia, seria controlada por Marcola e pelo irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, também indiciado no caso.
Alejandro, que está preso no sistema penitenciário federal, é apontado como responsável por comandar parte das operações financeiras do esquema, definindo repasses e divisão de recursos por meio da própria família.
Também foram indiciados Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinho e sobrinha de Marcola, apontados como beneficiários e operadores financeiros da organização.
Outro nome citado é Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”, identificado pela polícia como operador financeiro da alta cúpula do PCC e elo direto entre a facção e Deolane Bezerra.
Relação entre Deolane e operador do PCC
Segundo o relatório, Everton orientava o administrador da transportadora a realizar depósitos para Deolane. A polícia afirma que os pagamentos faziam parte do chamado “balancete” da facção criminosa.
Em uma investigação realizada anteriormente, policiais encontraram comprovantes de transferências bancárias feitas diretamente para a influenciadora entre agosto e outubro de 2020, somando R$ 24,5 mil.
A defesa de Deolane afirma que os valores recebidos eram referentes à prestação de serviços advocatícios.
Os investigadores também identificaram mais de R$ 1 milhão em depósitos em espécie nas contas da influenciadora entre 2018 e 2021, sem origem identificada.
Novamente, a defesa sustenta que o dinheiro é compatível com a atuação profissional dela como advogada.
Segundo a polícia, Deolane também aparecia como representante legal de Everton em registros policiais e mantinha relação próxima com ele. Em depoimento, o operador financeiro afirmou que alugava um apartamento da influenciadora no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista, pagando R$ 5 mil mensais.
Depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais analisados pela investigação também sugerem proximidade entre os dois, incluindo a presença de Everton em eventos familiares da advogada.
Próximos passos
Mesmo com a conclusão do relatório final, a Polícia Civil informou que os materiais apreendidos ainda continuam sendo analisados e podem levar à abertura de novas frentes de investigação e à identificação de outros envolvidos no esquema.