Grupo de imigrantes chegou ao aeroporto de Campinas em voo fretado e foi impedido de entrar no Brasil após identificação de vistos humanitários falsificados.
Redação Publicado em 13/03/2026, às 10h27
A Polícia Federal anunciou a abertura de uma investigação para identificar os responsáveis por um possível esquema de falsificação de documentos e organização irregular de imigração após um voo com imigrantes haitianos ser retido no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).
A aeronave, procedente de Porto Príncipe, chegou ao terminal na manhã de quinta-feira (12) transportando cerca de 118 haitianos. Durante o controle migratório, agentes federais identificaram que mais de uma centena de passageiros apresentava vistos humanitários falsificados, o que levou à aplicação da medida de inadmissão no país.
Segundo a Polícia Federal, a legislação brasileira determina que, nesses casos, a companhia aérea responsável pelo transporte deve providenciar o retorno dos passageiros ao local de origem.
Após a decisão administrativa, os imigrantes foram reembarcados no avião. No entanto, a aeronave permaneceu no pátio do aeroporto por cerca de dez horas, situação atribuída a questões operacionais relacionadas ao voo.
Posteriormente, os passageiros foram liberados da aeronave e encaminhados para uma área restrita do aeroporto, onde permaneceram com acesso a alimentação, banheiros e assistência básica.
A Polícia Federal informou que abrirá um procedimento para apurar quem organizou a viagem e produziu os documentos falsificados, além de identificar eventuais envolvidos no transporte irregular de migrantes.
O aeroporto de Viracopos tem se tornado uma das principais portas de entrada para haitianos no Brasil. Segundo a própria PF, o terminal recebe três voos fretados por semana, que juntos transportam cerca de 600 imigrantes vindos do Haiti.
A companhia responsável pelo voo, a Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa), afirmou que os passageiros pretendiam solicitar refúgio ou proteção migratória no Brasil e que todos estavam devidamente identificados e portavam passaporte válido.
A empresa também criticou a condução da operação, alegando que os passageiros permaneceram por horas dentro da aeronave sem assistência adequada.
Já a Polícia Federal afirmou que o controle migratório segue as normas previstas na Lei de Migração e destacou que a responsabilidade pela verificação da documentação antes do embarque também cabe à companhia aérea.
Organizações de direitos humanos que estavam no aeroporto afirmaram que advogados tentaram prestar assistência jurídica aos passageiros, mas relataram dificuldades de acesso ao grupo.
A situação ocorre em meio à grave crise humanitária no Haiti, marcada por violência de gangues, instabilidade política e colapso institucional. Segundo a ONU, o país enfrenta atualmente uma das piores crises humanitárias do mundo.
A PF informou que os imigrantes poderão formalizar pedidos individuais de refúgio, conforme prevê a legislação brasileira.
Um vídeo com imagens do avião será publicado no Instagram do Diário de SP.