A Polícia Civil indiciou quatro policiais militares por suspeita de fraude e homicídio na morte do entregador Gabriel Ferreira, ocorrida em 2024
William Oliveira Publicado em 05/02/2026, às 07h00
Passado mais de um ano da morte do entregador Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 19 anos, o caso teve novos desdobramentos com o indiciamento de quatro policiais militares pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A ocorrência aconteceu em novembro de 2024, na zona leste de São Paulo, e as investigações apontam para uma possível fraude na cena do crime.
Inicialmente, os policiais afirmaram que Gabriel pilotava uma motocicleta sem placa, caiu durante uma perseguição e, ao se levantar, teria sacado uma arma de fogo, o que motivou o disparo. No entanto, a análise das câmeras corporais, somada a laudos periciais e depoimentos de testemunhas, apresentou uma versão divergente.
As imagens mostram que, no momento da abordagem, não havia qualquer arma próxima ao jovem ou à motocicleta. Em seguida, gravações registram policiais agachados ao lado do veículo e o sargento Ivo Florentino dos Santos empurrando com o pé um objeto com características semelhantes a uma arma de fogo para debaixo da moto.
Os vídeos também captaram os últimos momentos de Gabriel ainda com vida. Baleado, ele afirmou ser trabalhador e implorou por socorro aos agentes presentes.
Testemunhas protegidas pelo inquérito relataram ter visto policiais retirando um objeto do interior da viatura e posicionando-o próximo ao corpo do jovem, reforçando a suspeita de manipulação da cena.
Em dezembro de 2025, o delegado Adriano Menechini afirmou que há “elementos robustos” que colocam em xeque a versão apresentada pelos policiais. O sargento Ivo Florentino dos Santos foi indiciado por homicídio e fraude processual, enquanto o cabo Evanildo Costa de Farias Filho e os soldados Ailton Severo do Nascimento e Gilbert Gomes dos Santos foram indiciados por fraude processual.
Enquanto a Polícia Civil, por meio do DHPP, aponta indícios de homicídio e fraude com base em provas técnicas, o Inquérito Policial Militar (IPM), concluído em janeiro de 2025, considerou a atuação dos agentes legal. Apesar do indiciamento, os quatro policiais seguem em liberdade e afastados das atividades operacionais, atuando apenas em funções administrativas.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o inquérito da Polícia Civil está em fase final.