O mecânico Clayton Juliano da Silva foi morto após uma discussão de trânsito, enquanto a criança permanece internada em estado estável.
William Oliveira Publicado em 28/07/2025, às 12h41
Na tarde de domingo (27), um policial militar foi detido após um episódio trágico em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. A ocorrência resultou na morte do mecânico Clayton Juliano da Silva, de 38 anos, e deixou uma criança de nove anos ferida, após uma discussão de trânsito.
O conflito teve início na Avenida Barão de Mauá, onde o mecânico e sua família se envolveram em um acidente com a motocicleta pilotada por Kaio Lopes Raimundo, policial militar de 32 anos, que estava à paisana. Clayton estava acompanhado da esposa, da sogra e de um sobrinho pequeno.
Após uma discussão, o PM efetuou quatro disparos contra o carro da família em movimento. Um dos tiros atingiu Clayton na nuca, causando sua morte. Outro disparo feriu a criança no banco traseiro. O menino foi socorrido e segue internado em estado estável.
O policial foi preso em flagrante pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio. Em depoimento, ele alegou ter agido em legítima defesa ao se sentir ameaçado. A defesa não foi localizada para se manifestar.
A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso, e o PM está detido no presídio Romão Gomes, à disposição da Justiça.
Segundo relatos registrados no boletim de ocorrência, a esposa da vítima afirmou que o policial estava parado em sua moto conversando com outro motorista, quando Clayton buzinou pedindo passagem. Após liberar o caminho, o PM teria tentado ultrapassar de forma agressiva, o que levou a um desentendimento verbal.
Ela ainda relatou que, antes de atirar, o policial lançou spray de pimenta dentro do carro da família. Após os disparos, o veículo colidiu contra um muro.
A versão apresentada pelo policial contradiz o relato. Ele afirmou que estava a caminho do trabalho quando Clayton começou a buzinar insistentemente. Ao tentar se aproximar do carro, teria sido fechado e caiu da moto. Kaio alegou que se sentiu ameaçado e disparou a arma em legítima defesa.
O caso ocorre em meio a dados preocupantes sobre a atuação policial no estado. Embora o número de mortes decorrentes de intervenções policiais tenha caído 3,1% no Brasil, São Paulo registrou um aumento expressivo de 61% em 2024. O total de pessoas mortas por policiais militares e civis saltou de 504 em 2023 para 813 neste ano.
A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, destacou que o crescimento da letalidade policial contribui diretamente para o aumento das mortes violentas intencionais no estado. No cenário nacional, esse tipo de crime apresentou queda.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que todos os casos de intervenção policial estão sendo apurados pelas corregedorias competentes, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário.