Entre as medidas emergenciais destacam-se a instalação de tubulações suspensas em dois locais críticos da Marginal Tietê, especificamente nas pontes da Casa Verde e da Freguesia do Ó
William Oliveira Publicado em 01/07/2025, às 12h17
Na manhã da última segunda-feira (30), representantes da Sabesp reuniram-se com autoridades do governo do estado de São Paulo e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) para traçar um plano de contingência diante do despejo irregular de esgoto sem tratamento no Rio Tietê.
A emergência foi causada pelo rompimento de uma tubulação na Marginal Tietê, que obrigou a companhia a adotar o despejo temporário como medida paliativa.
Participaram da reunião a secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura Logística, Natália Resende, técnicos da CETESB e membros da Sabesp. Durante o encontro, foram discutidas ações emergenciais para mitigar os impactos negativos do lançamento de dejetos na Zona Norte da capital paulista.
Após notificação da CETESB na sexta-feira (27), que estipulou prazo de 72 horas para apresentação de alternativas, a Sabesp comunicou ter interrompido o despejo desde sábado (29). No entanto, um diretor da empresa não descartou a retomada do procedimento se necessário para garantir a segurança dos operários durante as obras.
Entre as medidas emergenciais propostas, destaca-se a instalação de tubulações suspensas em dois pontos críticos da Marginal Tietê — nas pontes da Casa Verde e da Freguesia do Ó — que desviarão o esgoto para o lado oposto do rio, onde há estrutura coletora em operação. Está prevista também a construção de uma nova tubulação paralela entre a Rodovia dos Bandeirantes e o bairro de Pirituba, para direcionar os resíduos até a Estação de Tratamento em Barueri, com prazo estimado de 45 dias para conclusão.
A Sabesp justificou que a ação foi imprescindível para permitir o esvaziamento seguro da tubulação rompida e possibilitar o acesso dos técnicos aos reparos, realizados em profundidade de até 18 metros. Especialistas alertam, porém, para os possíveis impactos ambientais do despejo. O engenheiro Amauri Pollachi estimou que o volume lançado equivale a cerca de 216 milhões de litros diários — o equivalente a 86 piscinas olímpicas.
O governador Tarcísio de Freitas ressaltou que a manobra visou garantir a segurança dos trabalhadores envolvidos. Contudo, ambientalistas manifestaram preocupação com os prejuízos ao ecossistema e ao avanço conquistado em décadas de esforços pela despoluição do Rio Tietê.
O educador ambiental César Pegoraro, da SOS Mata Atlântica, alertou que acidentes dessa magnitude colocam em risco anos de trabalho em defesa dos recursos hídricos. Até o momento, não há dados conclusivos sobre os efeitos imediatos do despejo, mas a CETESB já planeja novas vistorias para avaliar a situação.
O problema teve início há mais de um mês, com o colapso de uma tubulação interceptor que coleta esgoto de diversas áreas da Zona Norte para tratamento em Barueri. Como alternativa emergencial, a Sabesp direcionou os resíduos diretamente ao Córrego Mandaqui, que deságua no Tietê sem qualquer tratamento.
A CETESB notificou formalmente a Sabesp e acompanha rigorosamente as medidas emergenciais adotadas, mantendo monitoramento contínuo até a implementação de uma solução definitiva para os problemas estruturais da Marginal Tietê.