Sérgio Antônio Lopes, piloto da Latam, foi preso nesta segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, suspeito de comandar uma rede de exploração sexual infantil
William Oliveira Publicado em 10/02/2026, às 07h00
A Polícia Civil de São Paulo apreendeu, na segunda-feira (9), um veículo Mercedes-Benz que, segundo as investigações, era utilizado por Sérgio Antônio Lopes, piloto da Latam preso por suspeita de comandar uma rede de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.
De acordo com os investigadores, o automóvel foi reconhecido por vítimas como o carro usado para buscá-las e levá-las a motéis, locais onde os crimes teriam sido cometidos. A apreensão do veículo tem como objetivo reforçar o conjunto de provas já reunidas e auxiliar na identificação de possíveis novas vítimas.
As apurações apontam que o suspeito adotava um padrão de abordagem. Inicialmente, aproximava-se da mãe, avó ou responsável legal pela criança ou adolescente. Após estabelecer contato, deixava claro que o interesse era diretamente na vítima e apresentava a proposta, oferecendo dinheiro ou outros benefícios.
Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, é casado, tem filhos e atuava como piloto da companhia aérea Latam. Segundo a investigação, conduzida ao longo de cerca de três meses, ele utilizava documentos de identidade falsos para entrar em motéis acompanhado de crianças e adolescentes.
A polícia também apurou que o suspeito recebia imagens das vítimas enviadas por mães, avós ou outros responsáveis por meio do WhatsApp. Cada envio resultava em pagamentos feitos via Pix. Além do piloto, uma avó de três vítimas foi presa temporariamente. Já a mãe de outra criança acabou detida em flagrante pelos crimes de armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil.
Em entrevista coletiva, a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a prisão foi realizada no Aeroporto de Congonhas devido à dificuldade de localizar o investigado em sua residência, em Guararema.
“Não conseguíamos saber quando ele estava voando ou não. Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje. Quando chegamos ao aeroporto, por volta das 5h30, ele já estava lá. Quando começaram a fazer a chamada do voo, nós fomos perguntar, e ele já estava no avião. Era uma forma de tentar localizá-lo”, relatou a delegada.
Ivalda informou ainda que a esposa do piloto, que atua como psicóloga, ficou profundamente abalada ao tomar conhecimento dos crimes. O casal havia retornado recentemente de uma viagem de lua de mel.
Segundo a delegada, cada imagem enviada rendia pagamentos que variavam entre R$ 30, R$ 50 e R$ 100. Em alguns casos, o suspeito também oferecia medicamentos, pagava aluguel e chegou a comprar uma televisão para os responsáveis pelas vítimas.
Até o momento, a Polícia Civil identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas não descarta que o número seja maior. O celular apreendido com o investigado contém imagens que indicam a possível existência de vítimas em outros estados. A polícia também investiga para quem o material era repassado.
“Além do consumo pessoal, há fortes indícios de que ele distribuía esse conteúdo para outras pessoas”, afirmou Ivalda.
A ação faz parte da Operação Apertem os Cintos, que apura crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados na capital paulista e em Guararema.
Segundo a Polícia Civil, as provas reunidas indicam uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções, habitualidade e atuação coordenada entre os envolvidos.
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que abriu uma apuração interna e afirmou estar à disposição das autoridades. A companhia ressaltou que repudia qualquer prática criminosa e destacou que segue rigorosos padrões de conduta e segurança. Apesar da prisão do tripulante, o voo LA3900, que ligou Congonhas ao Santos Dumont, no Rio de Janeiro, operou normalmente, dentro do horário previsto.