JUSTIÇA

Paulo Cupertino encara último dia de julgamento por assassinato de Rafael Miguel

O julgamento de Paulo Cupertino, acusado de assassinar o ator Rafael Miguel e seus pais, chega ao seu segundo e último dia no Fórum da Barra Funda

No primeiro dia, Cupertino negou as acusações, afirmando não conhecer as vítimas - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

William Oliveira Publicado em 30/05/2025, às 11h22

O julgamento de Paulo Cupertino, acusado do assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais dele, Miriam e João Alcisio Miguel, entra em seu segundo e último dia nesta sexta-feira (30). O tribunal está localizado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Durante a sessão, as partes envolvidas — acusação e defesa — terão a oportunidade de apresentar seus argumentos. Após os debates, o júri se recolherá a uma sala secreta para deliberar sobre a culpabilidade ou inocência do réu. A sentença será proferida pelo juiz Antônio Carlos Pontes de Souza, caso haja condenação.

No dia anterior, 29 de maio, o Metrópoles acompanhou a primeira parte do julgamento. Na audiência, Cupertino negou o crime, alegando não ter conhecido as vítimas antes dos trágicos acontecimentos.

As investigações indicam que a motivação para o crime estaria relacionada à insatisfação de Cupertino com o relacionamento da filha, Isabela Tibcherani, com o ator Rafael Miguel. A ex-companheira de Cupertino, Vanessa Tibcherani, também depôs e relatou ter sofrido agressões ao longo dos 22 anos de convivência com o réu. Em seu depoimento, ela descreveu Cupertino como misógino e violento, afirmando que a relação terminou em razão da situação envolvendo a filha.

Como funciona o julgamento?

O processo pelo Tribunal do Júri teve início na quinta-feira (29) com a seleção dos jurados. De uma lista de 25 nomes, sete foram escolhidos para compor o Conselho de Sentença. Esses jurados têm acesso às principais peças do processo para se familiarizar com os detalhes do caso. O juiz atua apenas como presidente da sessão, sendo responsável pela dosimetria da pena em caso de condenação.

A fase de debates começou nesta sexta-feira, com os representantes da acusação e defesa apresentando suas teses. O promotor Thiago Alcocer Marin e a assistente de acusação Maria Gorete Silva Carvalho têm até duas horas e meia para expor seus argumentos. Em seguida, a defesa também terá o mesmo tempo. Se houver necessidade de réplica e tréplica, cada parte terá mais duas horas adicionais. Ao fim, o Conselho se reúne para decidir pela absolvição ou condenação do réu.

Relembrando o crime

O triplo homicídio ocorreu em 9 de junho de 2019, no bairro da Pedreira, zona sul de São Paulo. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), Paulo Cupertino assassinou o ator Rafael Miguel, de 22 anos, e seus pais, João Alcisio Miguel (52) e Miriam Selma Miguel (50). A motivação seria a rejeição de Cupertino ao relacionamento entre sua filha e o jovem ator.

Na ocasião, os pais do ator haviam ido até a casa da família para dialogar sobre o namoro dos filhos. Cupertino disparou contra as três vítimas ao todo 13 vezes. Após o crime, fugiu para o Mato Grosso do Sul e depois para o Paraguai, sendo capturado apenas em maio de 2022, em um hotel próximo ao local do crime.

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