Comércios fecharam e moradores passaram a madrugada na rua enquanto equipes de emergência trabalhavam para garantir a segurança na área
Marina Milani Publicado em 14/11/2025, às 08h48
A analista comercial Patrícia da Silva, 54 anos, passou a noite inteira, da quinta-feira (13) até a madrugada de sexta (14), sem dormir. Ela limpava o que restou da própria casa após a explosão de um imóvel que armazenava, de forma irregular, fogos de artifício na Rua Francisco Bueno, Tatuapé, zona leste de São Paulo. Telhas foram arrancadas, o gesso do teto desabou e uma porta de alumínio entortou com a onda de calor.
Patrícia estava assistindo televisão quando o impacto ocorreu.
“Foi ensurdecedor. A gente achou que tinha caído um avião. Não sabia se era terremoto, se era guerra”, relatou ao Metrópoles. A residência ficou com um buraco aberto no teto, mas nenhum morador se feriu.
A Defesa Civil vistoriou o local e informou que a estrutura da casa não foi comprometida. No entanto, outros 21 imóveis da região foram interditados.
Explosão é investigada como crime ambiental e lesão corporal
O depósito irregular que funcionava dentro de um imóvel residencial explodiu por volta das 21h de quinta-feira (13). A Polícia Civil abriu inquérito para apurar responsabilidades. O caso foi registrado no 30º Distrito Policial (Tatuapé) como crime ambiental e lesão corporal.
A explosão ocorreu próximo à Avenida Celso Garcia, via de ligação com a Salim Farah Maluf, uma das mais movimentadas da zona leste. A força do impacto foi tamanha que estruturas metálicas foram arremessadas, carros estacionados ficaram danificados e a própria Salim Farah Maluf chegou a ser interditada temporariamente para garantir segurança às equipes de resgate.
Um homem que estaria dentro do imóvel no momento da detonação morreu carbonizado. O corpo foi localizado pelo Esquadrão de Bombas do Gate, chamado durante o rescaldo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele seria o responsável por armazenar ilegalmente os artefatos.
Outras 10 pessoas ficaram feridas e foram atendidas por equipes de emergência ou encaminhadas a hospitais da região.
A proprietária do imóvel e seu filho também se feriram. Ela sofreu lesões na cabeça; ele, ferimentos leves. Ambos foram levados ao Hospital Nipo-Brasileiro.
Comércios fecharam as portas, moradores passaram a madrugada na rua e equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e especialistas em explosivos trabalharam para impedir riscos adicionais.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento exato da explosão, que iluminou toda a rua e formou uma nuvem densa de fumaça.