Denúncia

Pai relata em grupo de WhatsApp denúncia de assédio sexual contra ministro do STJ

Jovem de 18 anos acusa Marco Buzzi de assédio durante viagem em Santa Catarina; ministro se afastou do cargo e nega as acusações

- Imagem: Reprodução/STJ

Letícia Sales Publicado em 08/02/2026, às 12h47

O pai da jovem que denunciou ter sido vítima de assédio sexual por parte do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relatou o episódio em um grupo de WhatsApp do qual participavam apenas os dois casais envolvidos, ele, a esposa, o ministro e a mulher de Buzzi. As famílias mantinham uma amizade antiga e costumavam viajar juntas.

O caso teria ocorrido em janeiro deste ano, durante uma estadia na casa do ministro, próxima à praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Segundo o depoimento prestado pela vítima à Polícia Civil de São Paulo, no segundo dia da viagem, Buzzi a convidou para entrar no mar e, durante o banho, teria tocado suas nádegas e encostado o pênis nela por mais de uma vez.

Após o episódio, a jovem retornou à residência e procurou o pai, que inicialmente estava ocupado com questões profissionais. Ao conseguir conversar, ela chorou e contou o que havia acontecido. Em seguida, os pais decidiram deixar a casa do ministro sob a justificativa de uma suposta queda da mãe dele, em Curitiba. Em depoimento, o pai afirmou que não conseguiu confrontar Buzzi por estar em forte abalo emocional e com mal-estar físico.

Já fora do local, o pai enviou uma mensagem no grupo privado de WhatsApp relatando o ocorrido. Após o envio, recebeu três ligações consecutivas de telefones fixos, que não foram atendidas.

A jovem afirmou à polícia que confiava profundamente no ministro, a quem via como uma figura próxima da família, descrevendo-o como alguém que considerava um “avô” e conselheiro. Segundo ela, foi por influência de Buzzi que decidiu cursar Direito. No depoimento, a vítima também relatou que, no dia anterior ao assédio, o ministro perguntou sobre sua orientação sexual, já que ela namorava uma mulher, e soube que ela se identificava como bissexual.

Após o episódio no mar, Buzzi teria dito que ela era “muito sincera” e que deveria ser menos, pois essa característica poderia prejudicá-la.

A denúncia foi apresentada à Polícia Civil e também ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No último dia 5 de fevereiro, Marco Buzzi apresentou atestado médico e se afastou das funções no STJ por dez dias.

Em nota, a defesa do ministro negou as acusações e criticou o vazamento de informações, afirmando que os fatos serão esclarecidos no momento adequado e pedindo respeito ao devido processo legal.

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