A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta quarta-feira (21), uma operação para investigar um esquema de venda ilegal de camarotes no Estádio do Morumbi, envolvendo dirigentes do clube
William Oliveira Publicado em 21/01/2026, às 07h40 - Atualizado às 08h24
Na manhã desta quarta-feira (21), a Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação para desarticular um esquema de venda ilegal de camarotes no Estádio do Morumbi. A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e teve como alvos dirigentes ligados ao São Paulo Futebol Clube (SPFC).
Entre os investigados estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do clube, e Mara Casares, ex-esposa do presidente afastado Julio Casares, que também exercia a função de diretora de eventos e cultura. Outro nome citado na investigação é Rita Adriana, apontada pela polícia como responsável pela negociação clandestina dos camarotes.
Segundo informações divulgadas pelo ge, a investigação identificou áudios nos quais Douglas Schwartzmann menciona a divisão dos lucros obtidos com o esquema. Em um dos trechos, ele afirma:
“Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”.
Após o avanço da operação, Douglas Schwartzmann e Mara Casares solicitaram licença de seus cargos. As defesas dos investigados negam as acusações e sustentam que os áudios divulgados foram retirados de contexto.
Durante as diligências, a polícia não localizou Rita Adriana em sua residência. Familiares informaram que ela vive em outro endereço, mas anotações consideradas relevantes para a investigação foram apreendidas no local. Já na casa de Mara Casares, os agentes encontraram R$ 20 mil em dinheiro, além de documentos e uma CPU que podem auxiliar no andamento do inquérito.
No caso de Douglas Schwartzmann, a Polícia Civil confirmou que ele está fora do país. As buscas em sua residência seguem sendo realizadas com o apoio dos filhos.
O SPFC atravessa uma das mais graves crises políticas e institucionais de sua história. O clube é alvo de investigações da Polícia Civil em meio a sucessivos escândalos internos e à recente votação no Conselho Deliberativo que resultou no afastamento do presidente Julio Casares por impeachment.
Além do esquema envolvendo a venda ilegal de camarotes, a polícia apura possíveis crimes relacionados à gestão financeira do clube. Julio Casares pode responder por associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, tendo o próprio São Paulo como vítima.
As investigações apontam que, entre 2021 e 2025, cerca de R$ 11 milhões foram sacados em dinheiro vivo das contas do clube. Inicialmente, os saques eram realizados por funcionários do São Paulo, mas posteriormente passaram a ser feitos por uma empresa especializada em transporte de valores. O destino final desse montante ainda é desconhecido.
A Polícia Civil também identificou depósitos que somam aproximadamente R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Julio Casares no mesmo período. O advogado do dirigente, Bruno Borragini, negou qualquer ligação entre os saques realizados pelo clube e os valores depositados.
“Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio”, afirmou em entrevista ao programa Fantástico.
A defesa sustenta ainda que, antes de assumir a presidência do clube, Casares atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que poderia explicar os depósitos. Já o advogado do São Paulo, Pedro Iokoi, declarou que determinadas despesas do futebol exigem pagamentos em espécie, como taxas de arbitragem e bonificações a jogadores.
Recentemente, o clube contratou peritos para reunir documentos fiscais com o objetivo de esclarecer a destinação dos valores sacados.
A atual crise ocorre em um cenário de temporada sem títulos e outros episódios polêmicos. No ano passado, ao menos dois atletas foram submetidos a aplicações de substâncias emagrecedoras adquiridas de forma irregular, por meio de um fornecedor não autorizado pela Anvisa. O nutrólogo responsável teve o contrato rescindido após a repercussão do caso.