Operação da PF sobre Mounjaro falsificado impacta parceria de Neymar; veja o que está em jogo

A operação da Polícia Federal apreendeu bens de luxo e indícios de produção irregular de medicamentos pela Unikka Pharma

- Imagem: Reprodução / FRANCK FIFE / AFP/ | Divulgação / PF

Marina Milani Publicado em 01/12/2025, às 08h29

A NR Sports, empresa que administra a carreira de Neymar Júnior, suspendeu o contrato de parceria com a Unikka Pharma após a farmacêutica se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal contra um suposto esquema de fabricação e comercialização ilegal de Mounjaro — medicamento indicado para diabetes e obesidade. A decisão foi tomada poucos dias depois da ação policial realizada na quinta-feira (27).

Em nota, a NR Sports informou que o rompimento temporário foi definido em comum acordo, para que a Unikka apresente sua defesa e esclareça as acusações. “A suspensão se dá até a conclusão das investigações. Após esse período, será analisada a solução definitiva do contrato”, comunicou a empresa responsável pela gestão da imagem de Neymar.

Unikka nega irregularidades e diz ser alvo de “injustiça”

A Unikka Pharma reagiu nas redes sociais, afirmando que atua de forma regular, possui mais de 300 colaboradores e opera com todas as licenças exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde de São Paulo (Covisa). A empresa reiterou que comercializa medicamentos somente mediante receita e negou participar de qualquer rede clandestina.

A farmacêutica atribuiu a investigação ao que chamou de “interesses de uma multinacional estrangeira que não consegue competir”. Em um segundo comunicado, a Unikka afastou qualquer vínculo societário com o médico Gabriel Almeida — também investigado — e afirmou que ele apenas foi contratado de forma pontual para palestras e eventos científicos.

Ação da PF encontrou produtos de luxo e indícios de produção irregular

A operação da Polícia Federal cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Entre os itens apreendidos estavam veículos de alto padrão, relógios de luxo e um jatinho supostamente utilizado por integrantes do esquema.

De acordo com os investigadores, o grupo mantinha uma estrutura de envase, rotulagem e distribuição de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — sem condições adequadas e em desacordo com as normas sanitárias. A PF apontou indícios de produção em série em escala industrial, prática proibida pela legislação brasileira.

A corporação também identificou a venda do produto por plataformas digitais, sem controles de qualidade, esterilidade ou rastreabilidade, o que aumentaria o risco à saúde dos consumidores.

Etapa atual da investigação

A PF afirma que as medidas cumpridas visam interromper o fornecimento irregular e recolher documentos, insumos e equipamentos que possam comprovar a atuação da rede. A operação contou com apoio da Anvisa e das vigilâncias sanitárias estaduais envolvidas.

A Unikka e os demais investigados aguardam avanço das análises técnicas e laboratoriais. A NR Sports, por sua vez, mantém o contrato suspenso até a conclusão do caso.

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