INVESTIGAÇÃO

Operação contra o Comando Vermelho bloqueia R$ 33,6 milhões em SP

Uma investigação sobre o Comando Vermelho levou à deflagração de uma megaoperação policial nesta quarta-feira (11) em Rio Claro, com mandados de prisão, buscas e bloqueio milionário de recursos da facção

Operação contra o Comando Vermelho bloqueia R$ 33,6 milhões em SP - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

William Oliveira Publicado em 11/03/2026, às 11h26

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Estado de São Paulo e do Ministério Público do Estado de São Paulo mobilizou agentes na manhã desta quarta-feira (11) para desarticular uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) no interior paulista.

Batizada de Operação Linea Rubra, a ação ocorre principalmente em Rio Claro e cumpre 19 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão, além do bloqueio de 12 imóveis e R$ 33,6 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados.

De acordo com as autoridades, o grupo investigado é suspeito de manter uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e homicídios, com atuação concentrada em Rio Claro e cidades da região.

As investigações apontam que a violência no município se intensificou devido à disputa pelo controle do tráfico entre integrantes do Comando Vermelho e membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo os investigadores, o grupo inicialmente era comandado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como Magrelo. Em maio de 2023, uma operação realizada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado desarticulou parte da estrutura criminosa liderada por ele.

Após a ação, o espaço deixado pela antiga liderança teria sido ocupado por Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, apelidado de Bode, que passou a atuar como uma das principais lideranças do CV no interior de São Paulo.

Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Bode” - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

 

De acordo com a investigação, Bode é responsável por coordenar a produção, aquisição e distribuição de drogas em larga escala, além de controlar a logística de transporte e a movimentação financeira da organização criminosa. Os investigadores também apontam que ele autorizava execuções de rivais para ampliar o domínio territorial da facção. Ele é procurado por associação para o tráfico e homicídio.

O principal aliado de Bode seria Luan Barbosa de Almeida Félix, apontado como responsável pela gestão operacional e financeira do grupo, incluindo a supervisão da contabilidade clandestina e a intermediação de transações de alto valor. Luan é investigado por tráfico internacional de drogas.

Segundo as autoridades, há indícios de que os dois estejam escondidos em comunidades do Rio de Janeiro controladas pela facção.

Os investigadores afirmam que a organização movimentava valores expressivos. Em um período inferior a um mês, foram identificadas transações superiores a R$ 1,19 milhão, provenientes do tráfico de drogas e da venda ilegal de armas.

Até a publicação desta reportagem, cinco pessoas haviam sido presas durante a operação — duas em Rio Claro, uma em Indaiatuba, uma em São Carlos e outra em Ribeirão Preto. Também foram apreendidos 26 veículos ligados ao grupo investigado.

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