Oito acusados são condenados por sequestro da modelo Luciana Curtis, e Justiça de SP detalha “frieza e estrutura criminosa” do grupo

Quadrilha manteve família em cativeiro na Brasilândia, exigiu transferências bancárias e incendiou o carro da vítima; líder pegou mais de 28 anos de prisão e executor, 33.

As vítimas foram mantidas em cativeiro e obrigadas a realizar transferências bancárias que ultrapassaram R$ 30 mil - Imagem: Reprodução | Redes sociais

Marina Milani Publicado em 13/11/2025, às 10h25

A Justiça de São Paulo condenou, nesta quarta-feira (12), oito dos 14 réus acusados de envolvimento no sequestro e extorsão da modelo Luciana Curtis, do marido, o fotógrafo Henrique Gendre, e da filha do casal, de 11 anos. O crime ocorreu em novembro de 2024, após o trio sair de um restaurante no Alto da Lapa, Zona Oeste da capital.

De acordo com a sentença da 18ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda, sob responsabilidade da juíza Ana Paula Mendes Carneiro, o grupo agiu com “frieza, organização e uso de meios tecnológicos para dificultar a investigação”. As vítimas foram rendidas por homens armados e levadas a um cativeiro improvisado na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, onde foram obrigadas a fornecer senhas bancárias e realizar transferências que ultrapassaram R$ 30 mil. O carro da família, um GWM Haval H6 avaliado em mais de R$ 200 mil, foi incendiado logo após o crime.

“Imaginar a bala entrando na cabeça”

No cativeiro, a família ficou isolada “sem luz, sem água e cercada por cobras e escorpiões”, segundo o relato das vítimas. O fotógrafo Henrique Gendre chegou a receber uma bala de revólver das mãos de um dos criminosos, que mandou que ele “imaginasse ela entrando na cabeça”.

A juíza destacou que o grupo tinha uma estrutura definida, com núcleos de execução, fraude bancária e lavagem de dinheiro. A quadrilha usava redes Wi-Fi falsas e contas de terceiros para movimentar os valores extorquidos.

O líder do grupo, Gabriel Valentim de Lima, conhecido como Zequinha, foi condenado a 28 anos, 9 meses e 15 dias de prisão, além de multa. Ele foi apontado como o mentor e coordenador das transferências. Já Sérgio Silva Soares, executor do sequestro e vigilante das vítimas, recebeu a pena mais alta: 33 anos, 3 meses e 10 dias de prisão em regime fechado.

Participação e lavagem de dinheiro

A funcionária de lotérica Juliana Aparecida da Costa foi condenada a 17 anos e 8 meses por operar o esquema de lavagem de dinheiro, gerando boletos e QR Codes falsos a pedido do líder da quadrilha. Outras condenadas, como Lilian Alves de Lima (mãe de Gabriel) e Maria Katia Alves da Silva (tia), cederam contas bancárias para movimentar os valores ilícitos.

Ao todo, os oito condenados deverão indenizar as vítimas em R$ 30.905,96, valor correspondente ao prejuízo financeiro do sequestro.

Réus condenados

Defesa contesta condenações

Em nota, os advogados Higor Henrique de Oliveira e Johnny de Melo, que representam parte dos réus, afirmaram que há “nulidades absolutas” no processo e que irão recorrer. A defesa sustenta que Gabriel Valentim não foi sequer citado formalmente e que as demais condenadas “não tiveram participação no sequestro nem vínculo com o grupo criminoso”.

Relembre o caso

Luciana Curtis, de 47 anos, o marido Henrique Gendre, de 53, e a filha do casal foram sequestrados em novembro de 2024 quando deixavam um restaurante no Alto da Lapa. Após o crime, o carro da família foi encontrado incendiado na Vila Penteado, Zona Norte.

As vítimas permaneceram por horas em poder dos criminosos no barraco usado como cativeiro na Brasilândia, até que foram libertadas. O caso gerou forte repercussão na época e levou a uma força-tarefa conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público para identificar os envolvidos.

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