Sintonia Final

Nova cúpula do PCC é revelada: facção muda liderança após mortes e traições

Com a morte de líderes importantes, o Primeiro Comando da Capital passa por uma reestruturação significativa, incluindo novos membros na hierarquia

Atualização do organograma revela a continuidade de Marcola como líder - Imagem: Reprodução / Superinteressante / Zé Otávio

William Oliveira Publicado em 02/07/2025, às 08h56

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) divulgou recentemente um novo organograma da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), apontando mudanças significativas na estrutura de comando da organização. O documento revela a inclusão de novos membros na chamada "sintonia final geral", considerada o núcleo máximo da hierarquia do grupo.

Entre os nomes recém-incorporados à cúpula, destacam-se Eric Oliveira Farias (Eric Gordão), Antônio José Muller (Granada) e Márcio Luciano Neves (Pezão). É a primeira vez que esses indivíduos aparecem oficialmente como integrantes da liderança superior do PCC.

Substituições estratégicas e rupturas internas

Os novos membros substituem figuras históricas que ocupavam posições estratégicas na facção, como Daniel Vinícius Canônico (Cego), Rogério Geremias de Simone (Gegê do Mangue) e Fabiano Alves de Souza (Paca). Vale lembrar que Gegê do Mangue e Paca foram assassinados em uma emboscada no Ceará, em fevereiro de 2018, episódio que enfraqueceu temporariamente a liderança do grupo.

Além disso, nomes de peso foram excluídos da sintonia, entre eles Roberto Soriano (Tiriça) e Abel Pacheco de Andrade (Vida Loka), que deixaram a organização após conflitos internos com o principal líder do PCC, Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola. A ruptura marcou uma das maiores cisões internas da história da facção.

Estrutura atualizada

Na nova configuração da sintonia final geral, permanecem nomes como Julio Cesar Guedes de Moraes (Julinho Carambola), Cláudio Barbará da Silva (Barbará) e Reinaldo Teixeira dos Santos (Funchal). Marcola, mesmo preso, continua sendo apontado como o líder máximo do PCC, embora seu advogado, Felipe Kirchner Bello, negue publicamente o envolvimento do cliente com a organização criminosa.

O documento também atualiza os membros da sintonia final, estrutura imediatamente abaixo da cúpula. Compõem essa camada:

Tuta, que havia sido declarado expulso do PCC em 2020 para despistar autoridades, foi preso em 16 de maio deste ano, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Ele possuía uma condenação de 12 anos e dois mandados de prisão preventiva em aberto.

Apoio logístico e presença internacional

O organograma também identifica um setor chamado "apoio da sintonia final", responsável por dar suporte à liderança. Essa unidade inclui indivíduos conhecidos pelos apelidos Delinho, Cartola, Lelê de Itapevi, Beiço de Mula e Jackson.

Everton de Brito Nemesio, o Delinho, foi preso em maio em Ponta Porã (MS). Ele era apontado como operador do PCC fora do Brasil, especialmente na fronteira com o Paraguai. Outro nome citado no documento é Prestígio, classificado como membro da sintonia final no Paraguai, evidenciando a presença internacional do grupo criminoso.

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