Epidemia em SP

Municípios declaram emergência após aumento de casos de dengue

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o estado de São Paulo notificou 13.555 casos prováveis de dengue, dos quais 3.559 foram confirmados

Municípios declaram emergência após aumento de casos de dengue - Imagem: Reprodução / Pixabay

William Oliveira Publicado em 11/01/2025, às 08h00 - Atualizado às 08h01

Na primeira semana epidemiológica de 2025, o estado de São Paulo registrou 13.555 casos prováveis de dengue, com 3.559 confirmações, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) na última sexta-feira (10). Esse número representa um aumento alarmante de 85% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram notificados 7.320 casos.

Diante dessa situação, 14 municípios paulistas já decretaram situação de emergência, incluindo:

  1. Estrela D’Oeste
  2. Espírito Santo do Pinhal
  3. Glicério
  4. Igaratá
  5. Jacareí
  6. Paraibuna
  7. Populina
  8. Potirendaba
  9. Ribeira
  10. Rubinéia
  11. São José do Rio Preto
  12. São José dos Campos
  13. Tambaú
  14. Tanabi

Esses decretos possibilitam a adoção imediata de medidas preventivas e de combate à epidemia, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.

O infectologista Thiago Morbi, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, aponta que o aumento de arboviroses, como a dengue, é comum no verão, devido às condições climáticas favoráveis à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Segundo Morbi, chuvas frequentes e altas temperaturas criam um ambiente propício para a proliferação do vetor. Além disso, a urbanização desordenada facilita a formação de criadouros em áreas densamente povoadas, onde há acúmulo de água em pequenas quantidades.

A situação é especialmente grave na região do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Araçatuba, onde, com uma população de cerca de 721 mil habitantes, foram confirmados 909 casos da doença, resultando no coeficiente mais elevado do estado: 126,01 casos a cada 100 mil pessoas. Apenas nos primeiros dias de 2025, Araçatuba registrou 314 casos e duas mortes relacionadas à dengue.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Martins Ferreira Júnior, destacou que, embora o município enfrente uma epidemia, ainda não se justifica a decretação de situação de emergência. Esse decreto só será adotado se o número semanal de casos ultrapassar 800 ou se houver escassez de recursos para o tratamento, como reidratação dos pacientes. No momento, os serviços de saúde locais estão administrando a situação adequadamente. A cidade também realiza um mutirão de conscientização para eliminar os criadouros do mosquito.

A região de São José do Rio Preto também apresenta altos índices de dengue. Com uma população de 1,6 milhão de pessoas e 708 casos confirmados até o momento, a cidade declarou estado de emergência em 3 de janeiro, após somarem-se 4.241 casos confirmados nos meses anteriores. No dia 9 de janeiro, foi anunciada a criação de 55 novos leitos hospitalares para o tratamento dos pacientes com dengue, além da campanha "Rio Preto sem dengue: a luta é de todos", que visa intensificar o monitoramento e o controle dos focos do mosquito nas áreas mais afetadas.

O Ministério da Saúde também comunicou a instalação do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) para dengue e outras arboviroses no estado de São Paulo. O objetivo é intensificar as estratégias de vigilância epidemiológica e controle vetorial. Para este ano, foram adquiridas 9,5 milhões de doses da vacina contra a dengue como parte das estratégias complementares. No entanto, devido à limitação na produção do laboratório responsável, as doses ainda não estão disponíveis em grande escala.

Em 2024, o Brasil registrou cerca de 6,6 milhões de casos prováveis de dengue e aproximadamente 6 mil óbitos. Até o dia 9 de janeiro de 2025, foram notificados 16.300 casos prováveis e 16 mortes em investigação, com a maioria dos casos concentrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A região Sudeste é responsável por 61,8% das notificações até agora.

A dengue é uma arbovirose causada pelo vírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. A doença pode se manifestar com febre alta e sintomas variados, que exigem atenção médica imediata para evitar complicações graves.

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