Manifestação do Dia Internacional da Mulher reúne milhares na Avenida Paulista, com caminhada até a Praça Roosevelt e homenagens às vítimas de feminicídio
Erika Osti Publicado em 08/03/2026, às 19h23
Milhares de mulheres ocuparam as ruas de São Paulo neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, em uma grande manifestação contra a violência de gênero e o aumento dos casos de feminicídio no país. O ato começou no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e seguiu em caminhada até a Praça Roosevelt, no centro da capital, reunindo movimentos sociais, sindicatos, coletivos feministas e organizações da sociedade civil.
Mesmo com chuva intensa durante a tarde, manifestantes permaneceram no protesto com capas, guarda-chuvas e faixas que pediam o fim da violência contra mulheres, igualdade de direitos e políticas públicas de proteção. O evento contou com carro de som, discursos de lideranças e intervenções simbólicas que lembraram vítimas de feminicídio.
Entre os principais temas levantados durante o ato estavam o combate à violência de gênero, a defesa da vida das mulheres e a ampliação de direitos trabalhistas e sociais. Cartazes e palavras de ordem também destacaram reivindicações como o fim da escala de trabalho 6x1 e a necessidade de medidas mais eficazes para enfrentar discursos de ódio e misoginia, inclusive nas redes sociais.
Durante a manifestação, algumas participantes compartilharam relatos pessoais sobre violência doméstica e reforçaram a importância da mobilização. A professora Carolina Lelis, de 34 anos, contou que decidiu participar do ato após ter sido vítima de agressões dentro de casa. Segundo ela, muitas mulheres ainda não sabem onde buscar ajuda e apoio.
Em meio ao protesto, uma intervenção simbólica chamou a atenção dos participantes. Pares de sapatos femininos foram colocados na avenida para representar mulheres vítimas de feminicídio, transformando o espaço em um memorial improvisado.
Os atos deste 8 de março ocorrem em meio a números preocupantes. Segundo dados apresentados durante as mobilizações, mais de 1,5 mil feminicídios foram registrados no Brasil em 2025, o maior número desde o início da série histórica. No estado de São Paulo, foram 270 casos no mesmo período, também recorde.
Durante a caminhada, houve um momento de tensão quando dois homens provocaram manifestantes exibindo imagens de figuras políticas. A Guarda Civil Metropolitana interveio e utilizou spray de pimenta para dispersar o grupo envolvido na confusão. Apesar do episódio, a marcha continuou normalmente.
Protestos semelhantes ocorreram em diversas cidades brasileiras neste domingo, como Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. Em comum, as mobilizações reforçaram a mensagem de que o 8 de março é também um dia de denúncia e de luta por mais segurança, igualdade e respeito às mulheres.