Violência no metrô

Mulher sofre fraturas após agressão dentro de estação do Metrô em São Paulo

Vítima teve o rosto e o joelho atingidos durante ataque na estação Parada Inglesa e defende que o caso seja investigado como tentativa de feminicídio

Larissa busca apoio psicológico após o trauma e teme usar o metrô novamente devido à insegurança - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 17/06/2026, às 09h13

Uma auxiliar de compras de 24 anos ficou gravemente ferida após ser agredida dentro da estação Parada Inglesa, da Linha 1-Azul do Metrô, na Zona Norte de São Paulo. O caso ocorreu na noite da última segunda-feira (15) e foi registrado pela Polícia Civil como lesão corporal. A vítima, no entanto, contesta a classificação e afirma que sofreu uma tentativa de feminicídio.

Larissa Ramos Raudenberg aguardava o trem na plataforma sentido Tucuruvi quando foi atacada por um homem identificado como Rodrigo de Oliveira, de 25 anos. Segundo o boletim de ocorrência, a agressão aconteceu de forma repentina.

De acordo com o relato da vítima, o suspeito teria começado a perseguir sua amiga, Ana Claudia Calbo de Oliveira, após um breve contato visual. Durante a movimentação, ele atingiu Larissa com um chute no joelho, fazendo com que ela caísse na plataforma. Mesmo com a mulher já ferida e caída no chão, o agressor continuou desferindo golpes na região da cabeça e do rosto.

"Ele avançou para cima da gente. Não foi tentativa de roubo, porque eu estava com dois celulares, um da empresa e o meu pessoal. Os aparelhos caíram no chão e mesmo assim ele não quis, viu que eu desmaiei, mas continuou me batendo. Ele queria que eu morresse, queria a minha vida", declarou.

A vítima sofreu fraturas no maxilar, no nariz e no joelho esquerdo, além de quebrar três dentes durante as agressões. Após receber os primeiros socorros na estação, ela foi encaminhada ao Hospital Mandaqui e já recebeu alta médica.

"Eu fraturei o nariz, o maxilar, estou com bastante inchaço no rosto, quebrei três dentes e fraturei o joelho, estou mancando", relatou.

Larissa também criticou a falta de segurança no local e afirmou que não havia agentes próximos no momento do ataque.

"Ele estava na plataforma, na parte onde a gente pega o trem. Ou seja, ele passou pela catraca e não tinha nenhum segurança do Metrô ali. Eles apareceram depois do ocorrido", afirmou.

Abalada emocionalmente, a jovem diz que pretende buscar acompanhamento psicológico após o episódio.

"Pelo que eu soube, é um rapaz que já teve até passagem [pela polícia] por assédio contra mulheres no metrô. A gente estava tranquila e o cara ficou incomodadíssimo com a nossa presença ali. Fiquei me sentindo muito exposta", lamentou.

"Estou muito apreensiva de pegar metrô novamente", acrescentou.

A vítima também questiona o enquadramento do caso pela polícia.

"Ele foi preso e já saiu da prisão, porque alegaram lesão corporal, mas para mim foi uma tentativa de feminicídio. Quiseram deixá-lo solto, ontem foi comigo, mas amanhã pode ser com outra que talvez não sobreviva", afirmou.

Segundo o boletim de ocorrência, Ana Claudia também foi atingida por um chute na perna direita, mas conseguiu fugir e não apresentou ferimentos aparentes.

Em nota, o Metrô informou que agentes de segurança atenderam a ocorrência, identificaram e detiveram o autor das agressões. A companhia acrescentou que a vítima foi socorrida ao Hospital Mandaqui e que o caso foi encaminhado à Polícia Civil para investigação.

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