Motorista afirma que não percebeu impacto; caso é investigado como homicídio culposo
Letícia Sales Publicado em 22/04/2026, às 09h29
Uma mulher de 56 anos morreu após ser atropelada por um ônibus na noite de terça-feira (21), na Avenida Nove de Julho, na região do Jardim Paulista, Zona Sul de São Paulo.
Segundo o motorista do coletivo, ele havia saído do Terminal Bandeira e seguia em direção ao bairro quando realizou uma parada para embarque de passageiros, próximo à Rua João Cachoeira. Ao retomar o trajeto, ouviu gritos de pessoas do lado de fora pedindo que parasse imediatamente.
“Ele parou imediatamente o ônibus e desceu, encontrando a vítima caída ao lado direito. Ele mencionou a existência de diversos pontos cegos no coletivo e disse que não viu qualquer obstáculo ao iniciar o deslocamento e não percebeu impacto ou ruído na hora do acidente”, consta no depoimento.
O motorista foi submetido ao teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para ingestão de álcool. Em depoimento, ele afirmou que trabalha há cerca de um ano na empresa Viação Gatusa e operava a linha 6200 – Terminal Santo Amaro no momento do ocorrido.
O cobrador também confirmou a versão apresentada. “Ele relatou que, quando o ônibus saiu, várias pessoas começaram a bater na lateral do veículo pedindo que ele parasse. Ele também não percebeu colisão ou anormalidade durante o trajeto”, diz o registro.
Uma testemunha que estava em uma barraca de frutas nas proximidades contou que viu a vítima momentos antes do atropelamento. “Ela correu em direção à rua, se agachou e abaixou a roupa, aparentemente para urinar, quando foi atingida pelo coletivo”, relatou.
Equipes da Polícia Militar foram acionadas e, ao chegarem ao local, socorristas constataram a morte da mulher. A área foi isolada para a realização da perícia.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a autoridade policial responsável pelo caso informou que, até o momento, não há indícios imediatos de condução imprudente, negligente ou imperita por parte do motorista.
O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor no 14º Distrito Policial, em Pinheiros. Exames periciais foram solicitados, e as investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do acidente.
O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Até agora, nenhum familiar foi localizado, o que levanta a possibilidade de que a mulher estivesse em situação de rua.