Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, é suspeita de ajudar na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande
William Oliveira Publicado em 18/09/2025, às 08h49
Uma mulher identificada como Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, foi detida na madrugada desta quinta-feira (18), suspeita de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. A prisão foi decretada pela Justiça após pedido da Polícia Civil de São Paulo, responsável pela investigação.
Segundo as autoridades, Dahesly, moradora de Diadema e com histórico ligado ao tráfico de drogas, teria buscado um dos fuzis usados na execução do delegado, morto em uma emboscada na Praia Grande, litoral paulista.
De acordo com a investigação, ela teria viajado até a Baixada Santista em um carro de aplicativo para retirar um pacote — que, segundo a polícia, continha uma das armas empregadas no crime. A participação dela é considerada fundamental para a logística do homicídio.
A prisão temporária tem validade inicial de 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30. Após prestar depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Dahesly passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e foi transferida ao 6º DP do Cambuci, onde permanece detida.
Durante o depoimento, a jovem cobriu o rosto com uma blusa e foi escoltada por vários agentes. À polícia, afirmou que foi contatada por um homem que pediu que fosse buscar o pacote, negando saber que se tratava de um fuzil.
O secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, anunciou a prisão nas redes sociais, destacando que esta é a primeira detenção relacionada ao homicídio do delegado Ruy. Ele garantiu que as investigações prosseguem para identificar e capturar todos os envolvidos.
A polícia encontrou no celular de Dahesly imagens do fuzil utilizado no crime. Em operação anterior, o DHPP e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) tentaram prender outros dois suspeitos, contra os quais já foram expedidos mandados de prisão temporária.
Investigação
A apuração aponta que o ex-delegado pode ter sido alvo do Primeiro Comando da Capital (PCC), em razão de sua atuação no combate à facção criminosa. Há também indícios de que tenha sofrido emboscadas por conta de conflitos pessoais relacionados ao trabalho na região da Baixada Santista.
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que já identificou outros dois suspeitos e segue colhendo depoimentos de testemunhas e familiares. Detalhes das operações não foram divulgados para não comprometer a eficácia da investigação.
A morte de Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, reacendeu discussões sobre a segurança de autoridades envolvidas no enfrentamento ao crime organizado no Brasil. Ele ganhou notoriedade por sua participação em operações contra líderes do PCC, incluindo a prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.