Ministério Público de São Paulo investiga morte de Lourivaldo Nepomuceno, que ficou preso entre a porta e a plataforma da Estação Campo Limpo
William Oliveira Publicado em 08/05/2025, às 12h37
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou uma investigação para apurar as circunstâncias de um trágico acidente que resultou na morte de um passageiro na Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, operada pela concessionária ViaMobilidade. A abertura do inquérito ocorreu em resposta a um incidente ocorrido na última terça-feira (6), onde a vítima, identificada como Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, ficou presa entre o vão e a porta da plataforma.
Em decorrência desse acidente, o MP concedeu um prazo de dez dias para que o governo do estado, a ViaMobilidade e a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) apresentem informações detalhadas sobre as medidas de segurança implementadas nas estações. O documento do MP destaca que o episódio evidencia uma "grave falha na segurança" das instalações e solicita esclarecimentos sobre as práticas adotadas para proteger a integridade física dos usuários.
Além disso, o MP estabeleceu um prazo de cinco dias corridos para que a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos se manifeste caso deseje apresentar recurso. Entre as solicitações está a entrega do contrato de concessão e informações sobre as medidas de fiscalização das práticas da concessionária. A ViaMobilidade também deve apresentar dados sobre as medidas de segurança adotadas para o embarque e desembarque na Linha 5-Lilás e esclarecer se existem falhas na estação Campo Limpo.
A investigação foi impulsionada por uma provocação do deputado Guilherme Cortez (PSOL), que levantou questões sobre a falta de sensores de presença nas portas automáticas da linha, dispositivos que poderiam ter evitado o acidente. As estações sob administração da ViaMobilidade não contam com esses sensores, que são utilizados em outras linhas do metrô paulista para evitar acidentes semelhantes.
Lourivaldo, morador da Grande São Paulo e pai de três filhos, teve sua morte marcada por questionamentos sobre a segurança das portas automáticas e os sistemas de monitoramento das estações. As portas automáticas são projetadas para abrir e fechar sincronizadamente com as portas dos trens, oferecendo maior segurança aos passageiros ao impedir quedas e acessos indevidos aos trilhos.
Embora o Metrô de São Paulo tenha iniciado a instalação dessas portas em 2010 e atualmente tenha 53 estações equipadas, a Linha 5-Lilás ainda carece desses dispositivos cruciais. Segundo informações oficiais, há planos para expandir a instalação até 2026.
Especialistas têm expressado preocupações sobre a segurança nas plataformas da Linha 5-Lilás, apontando falhas no projeto original das estações que permitem a existência de um vão significativo entre os trens e as portas. Além disso, eles sugerem que é essencial implementar um sistema operacional que funcione em modo "falha segura", garantindo que qualquer obstrução seja detectada antes do fechamento das portas.
A ViaMobilidade anunciou recentemente que planeja instalar barreiras físicas para cobrir os vãos entre os trens e as portas das plataformas até fevereiro de 2026. Essa medida segue um incidente anterior na Linha 2-Verde onde um passageiro ficou preso, mas sem ferimentos graves.