Guerra Familiar

MPSP arquiva inquérito sobre suposta falsificação em herança das Casas Bahia

Ministério Público de São Paulo arquiva inquérito sobre falsificação de documentos relacionados à herança de Samuel Klein

Saul Klein, filho mais novo de Samuel, acusa Michael de falsificar assinaturas para obter uma parte maior da herança bilionária - Imagem: Reprodução / ND

William Oliveira Publicado em 13/08/2025, às 10h43

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) decidiu arquivar um inquérito que investigava uma suposta falsificação de documentos atribuídos a Samuel Klein, fundador das Casas Bahia. Desde o falecimento do empresário em 2014, uma disputa pela herança tem gerado conflitos entre seus filhos: Michael, Eva e Saul Klein.

No centro da investigação, Saul Klein, o filho mais novo, acusou seu irmão mais velho, Michael, de falsificar as assinaturas do pai para garantir uma fatia maior da herança bilionária. Michael, cabe destacar, atua como testamenteiro e inventariante dos bens deixados por Samuel.

O inquérito analisou não apenas a autoria da suposta falsificação, mas também suas repercussões, incluindo a não distribuição de dividendos das Casas Bahia nos anos de 2015 e 2019, além da negociação de imóveis e créditos tributários entre 2021 e 2022.

A promotora Karla Regis Bugarib determinou o arquivamento do caso com base em perícia grafotécnica que confirmou a autenticidade das assinaturas contestadas. A grafoscopia é uma análise técnica que valida a legitimidade de assinaturas e documentos ao examinar características individuais de cada estilo de escrita.

Os peritos realizaram um estudo detalhado das assinaturas presentes em contratos da empresa e no testamento datado de 13 de agosto de 2013. Concluíram que não havia indícios de falsificação, destacando que as rubricas apresentavam "expressivas convenções gráficas", indicando que todas as assinaturas provinham do mesmo punho e eram autênticas.

O embate pela fortuna herdada se mantém desde a morte de Samuel Klein, sem perspectiva clara de desfecho. Recentemente, Saul, aos 71 anos, solicitou antecipação da herança após ser internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI). A defesa argumenta que ele enfrenta elevados custos com tratamentos médicos, cirurgias e assistência. Em 2023, Saul foi condenado a pagar R$ 30 milhões por envolvimento em tráfico de pessoas para fins sexuais.

O inquérito sobre a suposta falsificação foi iniciado em 2023, por solicitação do promotor Marcos Hideki Ihara, baseado em representação de Saul. Durante a investigação, ele apresentou laudo questionando a autenticidade das assinaturas, enquanto Michael anexou documentos comprovando sua veracidade.

No parecer que resultou no arquivamento, a promotora destacou que, mesmo havendo indícios de delito por parte de Michael, o Estado já teria perdido o direito penal devido à prescrição.

Além disso, na última semana, Michael protocolou à Justiça pedido para indeferir a antecipação da herança solicitada por Saul. Ele argumenta que a solicitação é "maliciosa" e baseada em informações desatualizadas relacionadas à internação do irmão. Michael sustenta que Saul buscaria beneficiar uma empresa à qual cedeu parte de seus direitos hereditários.

A petição pede a negativa do pedido de Saul, sua condenação por litigância de má-fé e requer que o Hospital Vila Nova Star forneça o prontuário médico completo para verificar a veracidade da internação.

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