Racismo

MPSP aciona Justiça contra shopping por abordagem racista a adolescentes

Caso envolve atuação de seguranças e gerou protestos de estudantes e famílias

Protestos organizados por estudantes e comunidade escolar pedem justiça e combate ao racismo após o incidente no shopping - Imagem: Reprodução/Agência Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 22/01/2026, às 19h08

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra o Shopping Pátio Higienópolis por um episódio de racismo envolvendo três adolescentes negros. A iniciativa partiu da Promotoria da Infância e Juventude e cobra uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além da adoção de medidas estruturais para evitar novas ocorrências.

O caso aconteceu em abril do ano passado, quando os estudantes, alunos de uma escola da região, foram ao shopping para almoçar com amigos. Segundo a ação, um dos adolescentes passou a ser seguido por seguranças após pegar dinheiro entregue por um homem branco, que era seu pai. A situação se agravou na praça de alimentação, quando uma jovem branca do grupo foi abordada por uma funcionária da segurança, questionando se ela estava sendo incomodada pelos colegas.

A abordagem, de acordo com o Ministério Público, teve como base estereótipos raciais e resultou em constrangimento e discriminação explícita. O órgão sustenta que os adolescentes tiveram sua dignidade violada em um espaço que deveria garantir convivência segura e igualitária.

Na ação, o MPSP pede que o shopping amplie seu núcleo social, com a presença permanente de profissionais como assistentes sociais e psicólogos durante todo o funcionamento do estabelecimento. A promotoria também solicita que qualquer atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade seja feito exclusivamente por esse núcleo, restringindo a atuação direta de seguranças, exceto em situações de risco imediato.

Outro ponto central é a exigência de uma consultoria especializada em combate ao racismo, que atue de forma contínua na formação de funcionários, equipes de segurança e atendimento ao público.

A Justiça ainda não concedeu a liminar solicitada pelo Ministério Público. A análise ficará para depois da manifestação formal do shopping no processo.

O episódio provocou forte repercussão pública. Dias após a abordagem, estudantes, familiares e professores organizaram um protesto em frente ao shopping, com cartazes e palavras de ordem contra o racismo. A mobilização foi liderada por coletivos estudantis e pela comunidade escolar dos adolescentes envolvidos.

Em nota, o Shopping Pátio Higienópolis afirmou que ainda não foi oficialmente citado no processo e que se manifestará nos autos no momento oportuno. O empreendimento também declarou, anteriormente, que lamenta o ocorrido e que a conduta relatada não reflete seus valores institucionais.

O caso segue sob apuração judicial e também é acompanhado por autoridades policiais, após o registro de boletim de ocorrência.

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