Promotoria de Justiça formaliza denúncias contra agentes envolvidos em abordagem que resultou na morte de Gabriel Junior, de 22 anos
William Oliveira Publicado em 11/07/2025, às 08h00
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou acusações formais contra seis policiais militares envolvidos na morte de Gabriel Junior Oliveira Alves da Silva, de 22 anos, ocorrida na noite de 1° de abril, em Piracicaba. O jovem foi atingido com um tiro na cabeça durante uma abordagem policial.
A denúncia foi protocolada pela 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Piracicaba. Segundo informações divulgadas na última quinta-feira (10), um dos agentes poderá responder por homicídio duplamente qualificado e fraude processual. Outro policial foi denunciado por tortura, enquanto os demais são acusados de coação no curso do processo e violação do direito à assistência legal.
De acordo com o promotor Aluisio Antonio Maciel Neto, a sequência de violência começou com agressões a Gabriel, o que levou sua esposa, então grávida, a tentar intervir. Ela foi empurrada e agredida pelos agentes. Gabriel foi baleado na cabeça ao tentar se aproximar dos policiais.
A companheira da vítima relatou ainda que foi forçada a entrar na viatura, onde sofreu violência psicológica. Investigações apontam que um dos policiais recolheu pedras do local da ocorrência e alegou falsamente que teriam sido arremessadas por Gabriel.
Em um episódio ocorrido dez dias depois, o advogado Gustavo Pires, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, relatou ter sido agredido por policiais durante uma abordagem, reforçando preocupações sobre práticas abusivas nas ações da corporação.
No dia 24 de junho, uma operação conjunta entre o MPSP e a Corregedoria da Polícia Militar resultou na prisão temporária de dois policiais e no afastamento de outros quatro. Os agentes Júnior César Rodrigues e Leonardo Machado Prudêncio estavam diretamente envolvidos na ação que resultou na morte de Gabriel.
O caso teve início quando os policiais avistaram Gabriel portando um objeto que consideraram suspeito. Segundo relatos, ele teria pegado uma pedra para proteger sua esposa no momento da abordagem violenta, o que culminou em sua morte. O inquérito está sendo conduzido pela 3ª Delegacia de Homicídios do Deic do Deinter 9, além de um inquérito policial militar (IPM).
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que investigará possíveis irregularidades nas condutas dos policiais e garantiu que adotará medidas rigorosas caso os abusos sejam confirmados.
Desde a tragédia, a presença da Polícia Militar na região aumentou, gerando relatos de intimidação por parte dos moradores, incluindo a retirada de cartazes que pediam justiça.
O advogado Gustavo Pires, ao retornar ao local da ocorrência, relatou nova abordagem considerada intimidatória, compartilhando nas redes sociais o clima de hostilidade e pressão psicológica sofridos.