Mortes em alta

Mortes no trânsito de São Paulo crescem no início do ano e acendem alerta sobre segurança viária

Capital paulista registrou 300 mortes entre janeiro e abril; motociclistas e pedestres concentram alta nos óbitos, enquanto debate sobre Faixa Azul ganha força

Apesar do aumento em São Paulo, o estado registrou uma redução de 5,5% nas mortes no trânsito, totalizando 1.812 vítimas em 2023 - Imagem: Reprodução/William Cardoso/Metrópoles

Letícia Sales Publicado em 19/05/2026, às 08h25

A cidade de São Paulo registrou aumento nas mortes no trânsito nos primeiros quatro meses deste ano. Dados do Infosiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), apontam que 300 pessoas morreram em acidentes entre janeiro e abril, número 5,6% maior em relação ao mesmo período de 2025.

Os motociclistas seguem como as principais vítimas da violência no trânsito paulistano. Foram 135 mortes no primeiro quadrimestre, contra 128 no ano passado, o que representa crescimento de 5,5%. Somente em abril, houve 36 óbitos de motociclistas — cinco a mais do que no mesmo mês de 2025, aumento de 16,1%.

O avanço nos índices acontece em meio às discussões sobre a eficácia da Faixa Azul, projeto implantado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes como uma das principais apostas para melhorar a segurança viária dos motociclistas.

Em janeiro, um estudo elaborado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Cordial, com apoio da organização Vital Strategies, indicou que a Faixa Azul pode aumentar em até 120% o risco de acidentes fatais em cruzamentos. O levantamento também apontou que a velocidade média nas vias com a segregação sobe de 58,3 km/h para 72,2 km/h, devido à sensação de maior segurança entre os condutores.

A pesquisa foi contestada pela gestão municipal, que contratou a Fundação Vanzolini para elaborar um estudo técnico com o objetivo de rebater os dados apresentados pelas universidades e pelo instituto.

Além dos motociclistas, os pedestres também aparecem entre os grupos mais afetados. Foram 130 mortes entre janeiro e abril, ante 116 registradas no mesmo período do ano passado, crescimento de 12,1%. Já entre os ciclistas, os óbitos passaram de sete para oito casos.

No estado de São Paulo, o cenário foi diferente. Houve redução de 5,5% nas mortes no trânsito, totalizando 1.812 vítimas nos quatro primeiros meses do ano. Ainda assim, os motociclistas representam parcela significativa das ocorrências, com 815 mortes registradas no período. Entre os pedestres, o número de vítimas subiu 2,2%, chegando a 460 óbitos.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirmou que mantém ações permanentes voltadas à segurança viária, incluindo ampliação da Faixa Azul, monitoramento diário dos acidentes, reforço na fiscalização e campanhas educativas.

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