Caso envolve versões divergentes sobre origem dos disparos em tentativa de assalto no Butantã e é apurado pelas corregedorias
Erika Osti Publicado em 29/03/2026, às 20h12
A morte do empresário Celso Bortolatto de Castro, de 58 anos, durante uma tentativa de assalto no Butantã, zona oeste de São Paulo, passou a ser alvo de investigação das corregedorias das polícias Civil e Militar. Ele foi baleado na tarde de sábado (28) após um policial de folga intervir na ação criminosa. A principal controvérsia do caso envolve a origem dos disparos que atingiram a vítima, já que a esposa sustenta que o marido foi atingido pelo próprio agente, enquanto a Polícia Militar afirma que houve troca de tiros com os assaltantes.
O crime ocorreu por volta das 15h, na Rua Sapetuba, quando o casal retornava de um passeio no interior do estado. Eles estavam em uma motocicleta quando foram abordados por dois homens também em uma moto, que anunciaram o assalto. Segundo a polícia, um agente de 27 anos que passava pelo local presenciou a ação e decidiu intervir.
De acordo com a versão inicial da PM, houve confronto armado entre o policial e os suspeitos. O empresário e um dos criminosos foram atingidos e não resistiram aos ferimentos. Um segundo assaltante conseguiu fugir. Já a esposa da vítima contesta esse relato e afirma que não houve troca de tiros.
Ela contou que, durante a abordagem, o casal caiu da moto. Enquanto tentava se afastar, ouviu disparos vindos de trás. Segundo o relato, o marido estava de costas quando foi atingido por dois tiros, um na nuca e outro nas costas. A mulher afirma que o policial teria confundido o empresário com um dos criminosos.
Após os disparos, o agente perseguiu os suspeitos e, em seguida, retornou ao local informando que havia acionado socorro. O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas Celso morreu ainda no local. O criminoso baleado também não resistiu após ser socorrido em estado grave.
O policial foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e liberado após pagamento de fiança de R$ 3 mil. As armas dele e do suspeito foram apreendidas, e exames periciais foram solicitados ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal.
O caso foi registrado como resistência, morte decorrente de intervenção policial, homicídio culposo e tentativa de roubo. A investigação está a cargo do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, com acompanhamento das corregedorias e de órgãos de controle, como o Ministério Público.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que todas as ocorrências envolvendo mortes em ações policiais são apuradas com rigor e que eventuais irregularidades são tratadas com celeridade. A pasta também informou que provas, incluindo imagens de câmeras corporais, serão analisadas durante o inquérito.
Celso Bortolatto de Castro trabalhava no ramo de seguros e morava na região do Bom Retiro. Segundo familiares, ele costumava fazer passeios de moto aos fins de semana. O velório está previsto para a noite deste domingo (29), e o sepultamento deve ocorrer na manhã de segunda-feira (30), na zona norte da capital.