A CET afirma que a passagem de betoneiras é irregular, mas moradores enfrentam problemas constantes desde 2023
Marina Milani Publicado em 10/11/2025, às 12h13
Carros derrapando, sujeira acumulada e uma camada de pó branco que invade casas e garagens fazem parte da rotina de moradores da Rua Francisco Isoldi, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. O problema é provocado por caminhões betoneira que passam pelo local e acabam derramando concreto na via, mesmo com placas que restringem a circulação de veículos pesados em trechos íngremes.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a circulação de betoneiras somente é permitida mediante autorização especial. Quando ocorre derramamento, o concreto seca e forma uma crosta que deixa o asfalto escorregadio. Motoristas relatam perda de tração e dificuldade para completar a subida.
Moradores dizem acionar a CET com frequência. De acordo com relatos, quando há equipes na região, os caminhões evitam circular. Com a saída da fiscalização, a passagem volta a ocorrer.
O problema já havia sido registrado em 2023, no mesmo endereço. Nesta última semana, moradores gravaram três ocorrências de derramamento. Na quinta-feira (6), um caminhão da Cortesia Concretos foi filmado deixando material na rua. Na terça (4), a cena se repetiu com um veículo da Polimix. Em 29 de outubro, outra betoneira da Cortesia também foi registrada.
A Cortesia Concretos informou que realizou a limpeza e que o motorista responsável passará por novo treinamento. A Polimix não respondeu até a publicação deste texto.
Como a remoção do concreto endurecido é difícil, moradores contam que tentam lavar a rua, mas o resíduo segue acumulado, gerando poeira dentro das casas.
A Subprefeitura de Pinheiros informa que o derramamento de concreto em via pública é considerado descarte irregular e pode gerar multa. A administração regional diz que reforçou a fiscalização na região.
A Prefeitura orienta que denúncias sejam registradas pelo telefone 156, com fotos ou vídeos contendo data e horário. Dados da Secretaria Municipal das Subprefeituras apontam que, apenas em 2025, já foram aplicadas 194 multas por descarte de nata de concreto em vias públicas da capital.