Medida busca enfrentar estiagem, calor extremo e queda no volume do Sistema Alto Tietê.
Ana Beatriz Publicado em 06/01/2026, às 08h03
A Prefeitura de Mogi das Cruzes instituiu nesta segunda-feira (5) o Comitê de Crise Hídrica e Monitoramento de Eventos Climáticos, com o objetivo de economizar água e minimizar os impactos das temperaturas extremas no município. A iniciativa foi decretada pela prefeita Mara Bertaiolli e terá duração inicial de 90 dias, podendo ser prorrogada.
Segundo a administração municipal, a decisão foi motivada por uma combinação de fatores críticos, como ondas de calor, estiagem prolongada, chuvas intensas, alto índice de estresse hídrico, redução do volume de água do Sistema Alto Tietê e um aumento de 60% no consumo de recursos hídricos.
O comitê é formado por representantes do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), responsável pela elaboração de um plano de contingência hídrica, da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compedec), que fará o monitoramento diário dos indicadores de abastecimento e risco de escassez, além das secretarias de Assistência Social, Saúde e Bem-Estar e da Coordenadoria de Comunicação Social.
Situação do Sistema Alto Tietê
A criação do comitê ocorre em um momento de atenção para o abastecimento regional. O Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) encerrou o mês de dezembro com apenas 19,9% da capacidade, o menor volume desde a crise hídrica, segundo dados da Sabesp. O índice é significativamente inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o sistema operava com 37,9%.
Apesar de uma leve recuperação em relação a novembro, quando o volume era de 19,3%, o SPAT mantém uma tendência de queda contínua desde abril. Em dezembro, o volume de chuvas ficou abaixo do esperado: foram registrados 148,7 milímetros, o equivalente a 83,8% da média histórica para o mês, que é de 177,3 mm.
O Sistema Alto Tietê é composto por cinco reservatórios, localizados entre Suzano e Salesópolis, e é responsável pelo abastecimento de mais de 4,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.
A prefeitura informou que novas medidas poderão ser anunciadas ao longo dos próximos meses, conforme a evolução dos indicadores climáticos e hídricos.