Transporte Público

Metrô de SP anuncia barreira após tragédia na Linha 5

Na manhã desta terça-feira (6), Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno morreu após ficar preso no vão entre a plataforma e o trem na estação Campo Limpo

Portas automáticas instaladas na Linha 5-Lilás - Imagem: Divulgação / Viamobilidade

William Oliveira Publicado em 07/05/2025, às 08h44

Após um trágico acidente na manhã de terça-feira (6), que resultou na morte de um passageiro preso entre o trem e a plataforma na estação Campo Limpo, a Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo anunciou a instalação de barreiras de segurança. As novas estruturas devem estar em funcionamento até o segundo semestre deste ano, com o objetivo de evitar novas tragédias.

Esse tipo de sistema já havia sido adotado na Linha 2-Verde, após um incidente semelhante em março, na estação Vila Prudente. Na ocasião, uma passageira ficou presa, mas foi resgatada sem ferimentos, já que o trem não chegou a se mover.

O engenheiro Moacyr Duarte, especialista em análise de risco e gerenciamento de emergências, destacou que acidentes como esse são raros nos metrôs ao redor do mundo, justamente por conta do projeto das plataformas, que impede que uma pessoa caiba entre as portas. Para ele, a falha em São Paulo revela um erro no planejamento inicial.

"Nos casos ocorridos aqui, as pessoas ficam presas num espaço existente entre as portas. Foi uma falha no estudo prévio para implantação. Quando você coloca um sistema desses, é necessário que exista a aplicação de uma série de técnicas e uma reunião de profissionais envolvidos para que seja feita essa análise dos riscos existentes", afirmou Duarte.

A ViaMobilidade, responsável pela operação da Linha 5-Lilás, informou que o trem só se deslocou porque as portas estavam devidamente fechadas e não foi identificado defeito no sistema de sensores, que bloqueia o movimento em caso de portas abertas. A concessionária também prometeu intensificar campanhas educativas para alertar os passageiros sobre a importância de seguir as sinalizações visuais e sonoras no momento do fechamento das portas.

O Metrô, por sua vez, reafirmou o compromisso com a segurança, garantiu colaboração com a ViaMobilidade e autoridades e afirmou que discute novas ações para reforçar a proteção dos usuários.

Atualmente, 53 das 91 estações do Metrô de São Paulo contam com portas automáticas de plataforma. Essa tecnologia, criada na França há cerca de 30 anos, foi implantada no Brasil pela primeira vez em 2010, na Linha 4-Amarela, com a missão de reduzir acidentes e interrupções nas vias.

A Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô destacou que essas portas exigem precisão absoluta para funcionar em sintonia com os trens. Especialistas ainda alertaram que os modelos mais modernos possuem sensores que evitam o fechamento em caso de obstrução — um recurso que não está presente nos equipamentos usados nas Linhas 2-Verde e 5-Lilás.

A investigação do caso está a cargo da Delegacia do Metropolitano (Delpom), que apura as circunstâncias do acidente.

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