Reservatórios em alerta

Mesmo com chuvas, Grande SP mantém restrições no abastecimento de água

Níveis seguem abaixo da normalidade e redução de pressão noturna continua para preservar mananciais

Com a possibilidade de rodízio no abastecimento, autoridades alertam para a necessidade de economizar água em São Paulo - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 03/03/2026, às 14h52 - Atualizado às 14h52

As chuvas registradas no início do ano trouxeram alívio momentâneo, mas não foram suficientes para recuperar os principais reservatórios que abastecem a Grande São Paulo. Diante do cenário, as restrições na distribuição de água seguem mantidas.

Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) indicam que o volume útil do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) subiu de 35,6% para 48,2% em fevereiro. Apesar da melhora, o índice ainda está abaixo da faixa considerada de normalidade.

Segundo a SP Águas, permanece em vigor a redução de pressão na rede por 10 horas durante a madrugada — medida adotada desde agosto do ano passado para economizar água e minimizar perdas por vazamentos.

Em bairros mais altos da capital, como o Capão Redondo, na zona sul, moradores relatam dificuldades frequentes no abastecimento. Sem pressão suficiente nos encanamentos, a água não chega a algumas residências durante a noite.

O período tradicional de recarga dos mananciais vai de outubro a março. No entanto, cinco desses seis meses já se passaram, e o volume acumulado ficou abaixo da média histórica. O Sistema Cantareira, responsável por abastecer cerca de 9 milhões de pessoas, opera atualmente com aproximadamente 36% da capacidade. Este é o terceiro pior período de chuvas dos últimos dez anos no sistema.

De outubro de 2025 a fevereiro de 2026, o Cantareira acumulou 75 bilhões de litros de água — volume considerado insuficiente para recompor os estoques ideais.

A Sabesp informou que está investindo mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana até o próximo ano. Segundo a companhia, a redução da pressão noturna já possibilitou a economia de 103 bilhões de litros de água, o equivalente ao consumo de cerca de 20 dias em toda a Grande São Paulo.

Atualmente, o sistema opera na chamada “Faixa 3” do plano de contingência, que prevê redução de pressão por 10 horas e economia de 8 mil litros por segundo. Caso os níveis caiam ainda mais, as restrições poderão ser ampliadas, chegando até a um eventual rodízio no abastecimento.

Enquanto isso, o apelo das autoridades é para o uso consciente da água, diante de um cenário que ainda inspira cautela.

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