Crise Hídrica

Mesmo com chuvas frequentes, São Paulo pode enfrentar falta de água em 2026, alertam especialistas

Sistema Cantareira segue abaixo de 20% e não se recuperou totalmente após a crise de 2014

O aumento das temperaturas e o consumo elevado de água agravam a situação, tornando a recuperação dos reservatórios ainda mais difícil - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 16/01/2026, às 19h10

As chuvas constantes que têm atingido a capital paulista não significam, necessariamente, segurança no abastecimento de água. Segundo especialistas, São Paulo corre o risco de enfrentar uma nova crise hídrica em 2026, caso o cenário atual de baixa recuperação dos reservatórios se mantenha.

Hoje, o Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana, opera com menos de 20% de sua capacidade. O dado acende um alerta, especialmente porque o volume de água armazenado não acompanha o ritmo das precipitações registradas na cidade. A explicação está na distribuição irregular das chuvas, que têm ocorrido fora das áreas responsáveis por alimentar os reservatórios.

Para o climatologista José Marengo, coordenador de pesquisa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o risco é real. Ele afirma que o sistema não conseguiu se recompor plenamente após a grave crise hídrica vivida entre 2014 e 2015. Desde então, com raras exceções, os níveis de armazenamento permanecem abaixo do necessário para garantir conforto no abastecimento a médio prazo.

Além da irregularidade das chuvas, o aumento das temperaturas preocupa. O calor intenso tende a elevar o consumo de água, pressionando ainda mais um sistema já fragilizado. Segundo o pesquisador, a chance de grandes volumes de chuva atingirem diretamente a região do Cantareira durante o verão é considerada baixa, o que dificulta uma recuperação consistente.

O histórico recente reforça o alerta. Após a crise da última década, apenas em 2022 o sistema chegou a patamares mais confortáveis, superando temporariamente a marca de 70% da capacidade. Fora esse período, os índices raramente passaram da metade do volume total, indicando um problema estrutural que se prolonga ao longo dos anos.

Diante desse cenário, especialistas apontam que medidas preventivas podem voltar à pauta, caso a situação se agrave. Entre elas estão a redução da pressão da água nas redes, campanhas de uso consciente e, em último caso, racionamento. A principal recomendação, no entanto, é a conscientização da população sobre o consumo responsável.

A avaliação técnica é clara: mesmo com dias chuvosos, a segurança hídrica de São Paulo segue vulnerável. Sem mudanças no padrão de chuvas e no uso da água, o estado pode enfrentar novamente dificuldades no abastecimento já a partir do próximo ano.

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