Mensagens interceptadas e áudio com “contador do PCC” apertam o cerco contra MC Ryan SP; confira

Investigação cita áudios e movimentações suspeitas para sustentar prisão do artista por lavagem de dinheiro

Ryan Santana dos Santos é acusado de participar de esquema de blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro do crime organizado - Imagem: Reprodução | Brazil News

Marina Milani Publicado em 18/04/2026, às 08h06

A Polícia Federal do Brasil apontou indícios de que o funkeiro Ryan Santana dos Santos tinha conhecimento de um esquema de blindagem patrimonial associado à lavagem de dinheiro do crime organizado. O artista foi preso na última quarta-feira (15), durante a operação Narco Fluxo, que apura movimentações superiores a R$ 1,6 bilhão.

De acordo com os investigadores, diálogos interceptados revelam tratativas entre um operador ligado ao cantor e um indivíduo identificado como “contador” do Primeiro Comando da Capital. As conversas indicariam estratégias para ocultar a titularidade de bens, incluindo a aquisição de um imóvel avaliado em R$ 1,4 milhão na capital paulista.

Em um dos áudios analisados, o interlocutor orienta que o imóvel não fosse registrado em nome do artista, mas sim de uma holding, como forma de garantir proteção patrimonial. Para a PF, o conteúdo reforça a tese de que havia ciência sobre os mecanismos utilizados para disfarçar a origem dos recursos.

A investigação teve origem em uma apuração anterior, que apontava o empresário Rodrigo Morgado como responsável por estruturar operações de lavagem de dinheiro vinculadas ao tráfico internacional de drogas. A partir da quebra de sigilo telemático, surgiram conexões com pessoas próximas ao funkeiro, incluindo um suposto operador identificado como Tiago de Oliveira.

Outro ponto destacado pela PF envolve a forma de pagamento do imóvel. Segundo os autos, cerca de R$ 1,1 milhão teria sido quitado por meio da entrega de veículos, em uma operação considerada atípica e com indícios de ocultação de valores. Para os investigadores, a complexidade da negociação levanta suspeitas de tentativa de mascarar a origem dos recursos.

Além disso, mensagens analisadas indicam que o artista teria conhecimento de inconsistências na documentação do imóvel, ainda assim avançando com a formalização do contrato. Na avaliação da PF, isso sugere que o instrumento foi tratado apenas como uma formalidade para viabilizar o acesso ao bem.

As autoridades também sustentam que MC Ryan SP teria papel central na engrenagem financeira investigada. Segundo o inquérito, ele utilizaria empresas ligadas à produção musical e sua visibilidade nas redes sociais para mesclar receitas legais com valores provenientes de atividades ilícitas, como apostas e rifas digitais.

O relatório ainda aponta que o patrimônio do artista teria sido diluído em nome de terceiros, incluindo familiares, como forma de dificultar o rastreamento. Após esse processo, os recursos seriam reinseridos na economia por meio da compra de imóveis, veículos de luxo e outros bens de alto valor.

A operação também alcançou outras figuras conhecidas do público, como Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa, ampliando o alcance das investigações.

O caso segue em andamento e deve avançar com a análise das provas reunidas. Para a Polícia Federal, o conjunto de evidências indica uma estrutura organizada e sofisticada de lavagem de dinheiro, com ramificações dentro e fora do país.

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